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17 de fevereiro, 2006 - 20h33 GMT (18h33 Brasília)

Denize Bacoccina
enviada especial a Claremont, Minnesota

Agricultores americanos faturam com etanol de milho

Quando viu o valor que vai receber pela safra do ano passado, o produtor de milho Brad Ahrens, dono com os dois irmãos de uma fazenda de 3,3 mil acres no sul do Estado do Minesota, teve a certeza que fez a coisa certa quando, há dez anos, organizou os fazendeiros locais e colocou US$ 60 mil do próprio bolso para começar o projeto de uma usina de álcool em Claremont.

Pela metade que entregou para a usina para ser transformado em etanol, ele recebeu o equivalente a US$ 2,95 por saca. A outra metade, que vendeu para alimentação animal, rendeu pouco mais da metade, US$ 1,70 a saca.

Ahrens é o presidente da Al-Corn, uma usina de propriedade de um grupo de 360 fazendeiros que decidiu apostar no etanol como forma de agregar valor ao milho que plantavam.

"Começamos a procurar alternativas e vimos que o etanol tinha um bom potencial", contou Ahrens.

Na época, várias organizações de saúde do Estado começaram um lobby para aumentar para 10% a proporção de álcool na gasolina vendida no Estado, para diminuir a poluição principalmente na região metropolitana da capital, Minneapolis.

"Algumas pessoas não estavam convencidas, mas agora elas se arrependem", diz sem disfarçar o orgulho.

Renda

No ano passado, as vantagens de se processar o milho em vez de vendê-lo como uma simples commodity ficou particularmente evidente com a cotação baixa do produto no mercado.

Mas nos anos anteriores quem investiu no álcool também saiu ganhando. A usina que foi montada com investimento inicial de US$ 18,5 milhões – parte coletada entre os 330 cooperados iniciais e parte por meio de empréstimo bancário – foi paga em três anos e deu lucro a partir do segundo ano de atividade.

A renda da família Ahrens aumentou de US$ 200 mil ao ano antes da usina para US$ 350 mil atualmente. O mesmo aconteceu com centenas de outros pequenos fazendeiros da região.

Em todo o Estado, há 15 usinas de álcool de milho, a maioria formada no modelo de cooperativa. Mais recentemente, algumas começaram a vender o negócio para grandes empresas de agronegócios. "Nós demonstramos que o negócio tem potencial, e as grandes agora querem entrar", diz.

Nesta última década, o dinheiro extra do álcool mudou a cara do lugar, uma região não exatamente próspera no interior dos Estados Unidos, tradicionalmente ligada à agricultura.

"Dá pra ver quem está no negócio do álcool", diz Ahrens. "As casas estão mais cuidadas, os carros são mais novos", conta.

Ele próprio já não passa o inverno – quando as temperaturas abaixo de zero impedem a agricultura – criando porcos para aumentar a renda. Nos últimos anos, tem fugido do frio com a mulher para um apartamento alugado numa praia mexicana.

"Volto para cá no início do ano para acertar a contabilidade, pagar os impostos, participar da assembléia da usina e depois vou de novo para a praia", diz exibindo um bronzeado difícil de se ver nesta região nesta época do ano.

"Trabalho menos e ganho mais", resume.