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13 de fevereiro, 2006 - 21h23 GMT (19h23 Brasília)

Charles Haviland

Rei do Nepal 'deve ser exilado ou julgado', diz líder rebelde

O principal líder da guerrilha maoísta nepalesa, Prachandra disse que o rei Gyanendra, do Nepal, deve ser eventualmente exilado ou julgado por ter tornado impossível qualquer compromisso político no país.

O monarca assumiu diretamente o poder político do país no ano passado. A entrevista de Prachanda foi concedida à BBC para marcar os dez anos do início da guerrilha maoísta no Nepal. Foi a primeira entrevista cara a cara do recluso líder rebelde em 25 anos.

O maoísta, de 52 anos de idade, disse acreditar que o país deve se tornar uma república "em menos de cinco anos".

Ele disse, entretanto, que o Nepal pode permanecer uma monarquia, se assim quiser a população do país.

Sofrimento

"Aceitaremos a decisão popular", disse ele.

Embora os rebeldes controlem boa parte do interior nepalês, a maioria dos analistas acredita que o conflito tem poucas chances de ser vencido militarmente por qualquer uma das partes.

Os maoístas querem a eleição de uma assembléia e que esta escreva uma nova constituição.

Perguntado sobre o eventual papel do rei no país daqui a cinco anos , Prachanda disse: "Acho que ele vai ser executado pela corte do povo ou talvez exilado".

O país não prevê a pena de morte. Os comentários de Prachande devem chocar muitos nepaleses e causar desconforto entre grupos oposicionistas que recentemente assinaram um acordo com os rebeldes.

O rebelde disse lamentar o fato de que cerca de 13 mil pessoas – muitas delas crianças – morreram no conflito, embora diga acreditar ser legítimo usar violência contra o que chamou de informantes.

Ele disse achar difícil a conquista da capital do país, Katmandu, dado o auxílio estrangeiro fornecido ao governo.

"Uma ação destas (a tomada da capital) causaria muito sofrimento ao povo nepalês", disse ele.

Ainda nesta segunda-feira, a Suprema Corte do país anulou um órgão criado no ano passado pelo rei Gyanendra para combater a corrupção no país.

Críticos do órgão o consideravam institucional por combinar as funções de promotor, juiz e júri.

Com a decisão, o antigo premiê do país, detido no ano passado, Sher Bahadur Deuba, deve ser libertado.