10 de fevereiro, 2006 - 11h26 GMT (09h26 Brasília)
O jornal argentino La Nación publica nesta sexta-feira uma reportagem em que estima os prejuízos causados pelo surto de febre aftosa no país em mais de US$ 250 milhões em exportações.
O cálculo do diário foi feito a partir da suspensão da compra de carne argentina por seis países, entre eles o Brasil.
"No ano passado, eles compraram cerca de 110 mil toneladas, em um montante de mais de US$ 250 milhões."
Só o Chile, o maior parceiro da Argentina no mercado de carnes, teria comprado, segundo o La Nación, mais de 58 mil toneladas, avaliadas em US$ 144,5 milhões.
O jornal lembra que os prejuízos podem ser ainda piores a partir da semana que vem, quando a União Européia vai decidir se também suspende as importações de carne argentina.
O surto de febre aftosa concentrado em San Luis del Palmar, no norte da província de Corrientes, que teria um rebanho de cerca de 4 mil cabeças.
Uma fonte entrevistada pelo diário afirma que o governo argentino está concentrando os seus esforços diplomáticos em conseguir que a suspensão seja apenas da carne proveniente de Corrientes.
Investimentos no Brasil
Na Grã-Bretanha, o jornal financeiro Financial Times destaca o plano de reforma fiscal do governo brasileiro em uma reportagem de alto de página.
Sob o título "Brasil abre o caminho para novos investimentos", o FT analisa as medidas que são esperadas para cortar impostos de investimentos internacionais em títulos de dívida pública locais e outros papéis.
De acordo com o jornal, "a expectativa é que as medidas reforcem o fluxo de capital estrangeiro que já vem sendo despejado no Brasil".
O FT comenta, entretanto, que os planos foram recebidos com cautela pelos exportadores brasileiros, que temem uma valorização ainda maior do real frente ao dólar, o que prejudicaria as exportações do país.
"Isso causaria ainda mais furor entre os exportadores, cuja competitividade vem sendo continuamente erodida nos últimos anos", diz a reportagem.
No entanto, o jornal destaca a importância de incentivar investimentos estrangeiros, que contribuiriam para uma redução nas taxas de juros do país "que poderiam, simultaneamente, reduzir e compensar qualquer impacto no câmbio".
Álcool
O National Post, do Canadá, analisa a relação entre a alta recorde nos preços do açúcar e o sucesso do Pró-Álcool no Brasil.
De acordo com o diário, o produto teria atingido os preços mais altos em 25 anos no mercado internacional graças à crescente demanda por álcool nas estradas brasileiras.
"A relação entre a demanda por energia no Brasil e os preços internacionais do açúcar mostram o quão interconectados os mercados se tornaram", diz o diário.
A reportagem afirma ainda que o Brasil produz 20% do açúcar mundial e que metade disso é usado na fabricação de álcool combustível.
"O Brasil tem peso para balançar o mercado", afirma um entrevistado do National Post.
Os preços do açúcar fecharam o mercado na quinta-feira mais de 40% acima dos registrados há um ano.
'Inteligência falha'
No Washington Post, dos Estados Unidos, um ex-funcionário dos serviços de inteligência americanos no Oriente Médio e no sul da Ásia afirma que o governo de George W. Bush "escolheu a dedo" as informações que interessavam "para justificar uma decisão que já tinha sido tomada de ir à guerra".
Em um artigo que vai ser publicado na revista especializada Foreign Affairs, Paul R. Pillar, que trabalhou para a inteligência de 2000 até o ano passado, admitiria que houve falhas na conclusão dos serviços de inteligência de que o governo de Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.
"As informações eram falhas, mas mesmo com essas falhas, não foram elas que levaram à guerra", escreve Pillar segundo o Post.
"Ficou claro que a inteligência oficial não foi usada na tomada das decisões mais importantes para a segurança nacional, que a inteligência foi mal utilizada deliberadamente para justificar decisões que já tinham sido tomadas."
A reportagem do jornal americano diz ainda que Pillar era uma figura importante nos bastidores da CIA (a agência de inteligência americana) e era considerado o "principal analista de contra-terrorismo".
O jornal diz ainda que a Casa Branca se recusou a responder às acusações.
Mutantes em alta
O britânico The Guardian se desfaz em elogios ao grupo brasileiro dos anos 60 Os Mutantes na crítica de uma coletânea sobre a Tropicália que está sendo lançada na Grã-Bretanha, como parte de uma série de shows, palestras e exposições em Londres para marcar os trinta anos do movimento.
"Mais do que qualquer outra coisa, a meia dúzia de canções dos Mutantes dão uma indicação provocante do que era a "swinging São Paulo na época em que Londres e San Francisco viviam o Verão do Amor", diz o crítico.
A reportagem descreve o grupo como "selvagemente original" e diz que a coletânea faz "você querer sair na hora para comprar tudo que esse grupo maravilhoso já gravou".
A crítica explica as origens do tropicalismo aos britânicos como "de um lado, uma resposta à complacência da música comercial brasileira, do outro, à ameaça da repressão militar da ditadura".
Curiosamente, ao descrever a importância de Jorge Benjor, que teve sua canção "Take It Easy, My Brother Charles" incluída na coletânea, a reportagem diz que ele compôs "vários clássicos da bossa nova".