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09 de fevereiro, 2006 - 12h41 GMT (10h41 Brasília)

Adriana Stock

Indonésia nega perdão a brasileiro condenado à morte

O presidente da Indonésia, Bambang Yudhoyono, negou o pedido de clemência do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte no país sob acusação de narcotráfico.

O brasileiro de 44 anos de idade foi preso em 2003 pelo porte de 13,4 kg de cocaína.
A droga foi encontrada dentro de seu equipamento de asa-delta.

O ministro-conselheiro José Soares, que está à frente da Embaixada do Brasil em Jacarta, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia enviado duas cartas ao presidente da Indonésia reforçando o pedido clemência do brasileiro.

Mas Soares destaca que esse não foi o último recurso no processo: "Existe uma segunda oportunidade de pedido de clemência. O condenado pode pedir a reconsideração. Eu imagino que esse seja o caminho".

O pedido seria apresentado na primeira instância da justiça indonésia, depois seria enviado para a Suprema Corte para então passar, novamente, ao presidente Yudhoyono.

Fuzilamento

Soares vê como um "possibilidade distante" a execução da sentença do brasileiro, que seria morto a tiros por um pelotão de fuzilamento.

"Existem cerca de outros 30 presos nessa mesma situação, sendo que alguns foram condenados até dez anos antes do brasileiro. Imaginamos que esse caso não teria nenhuma razão especial para saltar os outros."

Soares disse que o governo brasileiro está "observando" o processo.

"Vamos conversar com as autoridades para ver quais são as possibilidades, discutir qual é o melhor caminho", afirmou.

O ministro-conselheiro comentou que mantém contato frequente com a advogada de Moreira, Mona Lubuk, e com o próprio brasileiro.

"Ele está psicologicamente estável. Ele tem um temperamento positivo", descreveu Soares.

Além de Moreira, outros dois brasileiros estão presos na Indonésia acusados de tráfico de drogas.

Um deles cumpre pena de 11 anos de prisão, enquanto o outro enfrenta uma situação similar à de Moreira. Ele foi condenado à morte e perdeu na primeira instância da justiça indonésia o pedido de revisão da pena. O caso ainda passará para a segunda instância.

Moreira era instrutor de asa-delta e de pára-quedas no Rio de Janeiro e freqüentemente viajava para Bali, na Indonésia.