08 de fevereiro, 2006 - 11h55 GMT (09h55 Brasília)
Andrea Wellbaum
enviada especial a Argel, Argélia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a diplomacia para tentar resolver a crise envolvendo o programa nuclear do Irã
Em entrevista concedida a vários veículos de imprensa argelinos, Lula disse que o Brasil privilegia o tratamento das questões internacionais pela via da negociação e do multilateralismo.
“Queremos que se tentem todas as formas possíveis de resolver as pendências pacificamente, sem confrontações ou aumento de tensões”, disse o presidente.
“Quero que se dê não uma, mas todas as chances à diplomacia.”
Amorim
Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reconheceu que a denúncia do Irã ao Conselho de Segurança da ONU não deixa de ser uma forma de pressionar o país.
Por outro lado, Amorim disse ter conversado na terça-feira com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que teria lhe garantido que os EUA não irão tomar nenhuma ação até a próxima reunião da Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA), marcada para o dia 6 de março.
“A expectativa é que até lá possa haver gestos de parte a parte e o que o Irã fizer terá de ser reconhecido pela comunidade internacional. Nós esperamos que o país o faça”, disse Amorim.
O ministro faz parte da comitiva que chegou juntamente com o presidente Lula no final da manhã desta quarta-feira (horário local) a Argel, capital da Argélia.
Lula foi recebido com muita pompa no aeroporto internacional da cidade, com direito a tapete vermelho, honras militares e recepção do presidente argelino, Abdelaziz Buteflika.
A cerimônia demonstra a importância que o governo argelino está dando à visita de Lula ao país, que é a primeira de um presidente brasileiro desde 1983.
Tanto no aeroporto como ao longo de todo o percurso de Lula à residência oficial do governo argelino em Zeralda, a cerca de 20 quilômetros de Argel, podem ser vistas inúmeras bandeiras do Brasil e da Argélia.