06 de fevereiro, 2006 - 01h22 GMT (23h22 Brasília)
Carolina Glycerio
enviada especial a Porto Príncipe
Eleitores de Porto Príncipe manifestaram o seu apoio aos 35 candidatos presidenciais em grandes festas de rua neste fim de semana.
Nos últimos comícios antes do fim da campanha, neste domingo, os haitianos se entregaram a ritmos caribenhos e danças típicas de cerimônias de vudu nos comícios para os dois principais candidatos a presidente.
Horas antes da chegada do candidato Charles Henri Baker, um empresário branco em segundo lugar nas pesquisas de opinião, milhares de seus eleitores no bairro de Canapé Verte já o esperavam em clima de festa, gritando o seu apelido “Charlito” junto com canções de rituais vudu.
“Vou sair cedo para votar pelo meu país, contra a insegurança, contra os sequestros, contra a injustiça social e contra a pobreza”, disse Mogat Fortune, de 39 anos, vestindo uma camiseta em que se lia o lema de campanha do candidato: “Ordem, disciplina e trabalho”.
Se não fossem as dezenas de jipes da Minustah (missão de estabilização da ONU no Haiti) e de policiais nacionais e da ONU de prontidão no local, o comício seria semelhante a de qualquer outro país.
O esquema ostensivo de segurança lembrava, no entanto, que estas são as primeiras eleições desde a queda, em fevereiro de 2004, do então presidente Jean-Bertrand Aristide, em meio a uma violenta revolta popular.
A vitória do padre católico também havia sido efusivamente celebrada em 2000, antes de, segundo opositores, Aristide trocar as suas promessas de reconciliação nacional por uma política de armar gangues e reprimir dissidentes.
Candidatos e diplomatas dizem abertamente que esperam problemas nas eleições de terça-feira e falam da “tradição de violência” que acompanha as votações no país.
Em Bel Air, outra área da capital haitiana, partidários do ex-presidente René Préval, considerado o favorito para a eleição de terca-feira, improvisavam canções com o seu nome.
Reunido em volta de um poster de Préval, um grupo de eleitores jogavam papéis e cantavam em um ritual vuduístico.
A esperança agora é que o clima de festa de fim de campanha não dê lugar à violência no dia da eleição.