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06 de fevereiro, 2006 - 10h05 GMT (08h05 Brasília)

Carolina Glycerio
enviada especial a Porto Príncipe

Candidato critica ação de tropas brasileiras no Haiti

As tropas da ONU lideradas pelo Brasil no Haiti são “tolerantes demais” com as gangues armadas de Porto Príncipe, segundo o candidato a presidente Charles Henri Baker, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições desta terça-feira.

“Eu acho que é criminoso por parte da comunidade internacional e do governo interino não tomar conta do problema em Cité Soleil. Como eles podem manter 200 mil a 300 mil terroristas aterrorizando 150 mil a 200 mil pessoas e não fazer nada a respeito?”, disse Baker, em entrevista à BBC.

Cité Soleil, uma favela no norte de Porto Príncipe, é considerada o principal reduto de criminosos por trás da violência na capital haitiana.

Tanto o general José Elito Siquiera, que comanda as tropas da ONU, como o diplomata que lidera a missão de paz, Juan Gabriel Valdes, expressaram em entrevistas à BBC a preocupação com mortes de civis em uma operação em Cité Soleil.

Invasão

Baker, no entanto, defendeu que a única forma de vencer as gangues é entrar na favela com uma “força avassaladora”, usando tanques e helicópteros como fizeram os americanos logo após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004.

“Eles deveriam perguntar aos fuzileiros navais americanos como eles entraram lá e não atiraram em uma só pessoa, não mataram uma só pessoa e em três horas restauraram o domínio da lei em Cité Soleil. Talvez eles aprendam alguma coisa”, disse Baker que, como os outros candidatos, não fez campanha em Cité Soleil por preocupações com a segurança.

O candidato também disse que, apesar das indicações da ONU de que poderia permanecer anos no Haiti, a população começa a ressentir-se da presença de tropas estrangeiras e não vai tolerá-la por muito tempo.

“Tenho recebido muitas perguntas de eleitores sobre quando vou tirá-los daqui”, disse Baker.

Representante da elite mulata e branca do país, ele insiste que a sua cor não vai impedir a sua vitória no país majoritariamente negro. "Sou meio branco, meio negro", diz Baker, nascido no Haiti e formado nos Estados Unidos.