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05 de fevereiro, 2006 - 08h41 GMT (06h41 Brasília)

Milícias sudanesas 'estão atacando civis no Chade'

Milícias na região de Darfur, no oeste do Sudão, estão promovendo ataques quase diários contra vilarejos no vizinho Chade, segundo denúncia da organização internacional Human Rights Watch.

A organização, baseada em Nova York, diz que a maioria dos ataques foi promovida por milicianos do Sudão e do Chade, aparentemente com algum apoio do governo sudanês.

A Human Rights Watch defende a presença de uma força internacional expandida em Darfur. A organização diz que uma força internacional também é necessária ao longo da fronteira para proteger os civis do Chade.

A milícia pró-governo Janjaweed é acusada de matar milhares de civis em ataques a vilarejos em Darfur e de forçar 2 milhões de pessoas a deixar a região em represália a um levante rebelde na área.

Ataques documentados

Pesquisadores da Human Rights Watch dizem ter documentado inúmeros ataques contra vilarejos no Chade por milícias que haviam cruzado a fronteira do Sudão.

Segundo eles, os milicianos mataram civis, queimaram vilarejos e roubaram gado.

O relatório da organização afirma que quase metade dos 85 vilarejos na região de Barotta, no Chade, foi atacada e posteriormente abandonada, com 16 moradores mortos em um único mês.

A Human Rights Watch diz ter recebido a informação de testemunhas de que os responsáveis eram árabes usando roupas do exército sudanês e falando árabe sudanês.

Alguns dos ataques também teriam sido cometidos por rebeldes do Chade que operam em bases em Darfur.

Árabes poupados

O relatório diz ainda que a maioria das vítimas no Chade, assim como em Darfur, é de grupos étnicos africanos e que os civis árabes vivendo na mesma região não foram perturbados.

Segundo a Human Rights Watch, dezenas de milhares de pessoas no Chade já foram expulsas de suas casas por causa da violência.

“A política do Sudão de armar milícias e de deixá-las livres está passando ao outro lado da fronteira. Os civis não têm proteção contra seus ataques, em Darfur ou no Chade”, disse o diretor da organização para a África, Peter Takirambudde.

Atualmente cerca de 7 mil soldados da União Africana tentam manter a segurança na vasta região de Darfur.

Porém o financiamento para a missão está terminando, e o Conselho de Segurança da ONU discute mudá-la para uma missão de manutenção de paz das Nações Unidas.

A Human Rights Watch diz que qualquer missão da ONU deveria ter um mandato forte para proteger a si mesmo e aos civis, com força se necessário, e desarmar e dispersar as milícias sudanesas apoiadas pelo governo.