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26 de janeiro, 2006 - 20h16 GMT (18h16 Brasília)

Diego Toledo

Petrobras aguarda posição 'oficial' da Bolívia sobre refinarias

A Petrobras manteve uma postura de cautela nesta quinta-feira e evitou comentar as declarações do novo presidente da estatal de petróleo da Bolívia (YPFB), Jorge Alvarado, sobre as refinarias que a empresa brasileira controla em território boliviano.

Alvarado anunciou nesta quinta-feira um plano de recuperação de 20 estações de serviço e das duas refinarias de hidrocarbonetos administradas pela Petrobras nas regiões de Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra.

"Vamos dar início hoje mesmo aos trabalhos de resgate destas duas refinarias, uma no centro e outra no leste do país", disse o novo presidente da YPFB, de acordo com a agência de notícias AFP. "Este vai ser o primeiro passo."

A empresa brasileira considerou "extra-oficiais" as afirmações de Alvarado e afirmou que não se pronunciará sobre o assunto enquanto o novo governo boliviano não formalizar sua posição oficial.

Sociedade

No último dia 13, em visita a Brasília, o novo presidente da Bolívia, Evo Morales, disse ter convidado a Petrobras a ser sócia da YPFB. "Precisamos de sócios e a Petrobras será nossa sócia", afirmou Morales.

Na ocasião, o presidente da empresa brasileira, José Sergio Gabrielli, admitiu a possibilidade de uma sociedade com a estatal boliviana, incluindo a negociação de uma associação entre Petrobras e YPFB para compartilhar o controle das refinarias.

"A Petrobras, juntamente com o governo boliviano, vai sentar para estabelecer uma pauta de interesses comuns", disse, então, Gabrielli. "A estrutura societária está colocada e vamos discutir."

Até agora, no entanto, a Petrobras e o novo governo da Bolívia ainda não revelaram os detalhes sobre como seria a negociação para que a YPFB voltasse a participar da administração das refinarias.

Valor

A Petrobras controla 98% da capacidade de refino da Bolívia por meio das duas refinarias, que processam em média 40 mil barris de petróleo e líquido de gás natural por dia.

As refinarias foram compradas pela empresa brasileira, em 1999, por pouco mais de US$ 100 milhões – hoje, elas têm um valor estimado em US$ 150 milhões.

O negócio foi realizado na época em que a Bolívia começou a receber investimentos estrangeiros para exploração de gás e petróleo.

As refinarias eram deficitárias e a hipótese de leiloá-las foi descartada graças à falta de interesse demonstrada pelo mercado. Brasil e Bolívia chegaram então a um acordo para que a Petrobras comprasse as refinarias.

No ano passado, com uma mudança na legislação boliviana que determinou que a estatal YPFB voltasse a atuar no mercado de exploração de gás e petróleo, ganhou força na Bolívia a idéia de que o país deveria voltar a controlar as refinarias.

O principal objetivo seria combater o problema de abastecimento interno que a Bolívia enfrenta. Com os preços dos combustíveis subsidiados no país, os produtores têm dificuldade em atender a demanda interna sem registrar prejuízos.

Entre 1994 e 2005, os investimentos da Petrobras e de seus parceiros na Bolívia chegaram a US$ 1,5 bilhão. A empresa brasileira foi responsável direta por dois terços desse total.