25 de janeiro, 2006 - 12h46 GMT (10h46 Brasília)
A Comissão Nacional para os Direitos Humanos do México (CNDH) vai distribuir 70 mil mapas produzidos pela Organização Não-Governamental (ONG) americana Humane Borders que indicam as principais estradas e reservatórios d'água no deserto que separa os Estados Unidos do México.
O órgão governamental mexicano afirma que o objetivo da iniciativa é reduzir o número de mortes de imigrantes que tentam atravessar a fronteira ilegalmente e refuta as críticas americanas de que ela vai incentivar a imigração legal.
No ano passado, de acordo com a CNDH, cerca de 500 imigrantes morreram tentando entrar nos Estados Unidos.
No entanto, para Russ Knocke, porta-voz do departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, a medida não vai melhorar a situação.
"Não ajuda a ninguém, mesmo com a melhor das intenções, produzir mapas de estradas e áreas perigosas ao longo da fronteira. Isso incita potencialmente a atividade criminosa, a exploração humana e o risco pessoal", disse Knocke.
GIS
Os mapas são produzidos pela Humane Borders utilizando a tecnologia GIS (Global Information System) e, de acordo com a ONG, trazem informações precisas sobre estradas, distâncias e reservatórios d'água no deserto de Sonora.
A própria ONG administra cerca de 70 destes reservatórios ao longo dos 3,2 mil quilômetros da fronteira entre os dois países.
De acordo com a instituição americana, que já vinha distribuindo mapas, a colaboração com o governo do México vai permitir que os mapas cheguem aos recônditos mais isolados do interior mexicano.
Para as autoridades do México, que também vai arcar com o custo de impressão dos 70 mil mapas, a informação vai evitar mais mortes.
"A única coisa que estamos tentando fazer é alertá-los (os imigrantes) para os riscos que se enfrentam e sobre onde se encontra água", afirmou Maurício Farah, da CNDH.
No ano passado, o governo mexicano já publicara panfletos informativos com os riscos da imigração ilegal e conselhos sobre segurança no formato de quadrinhos.
Neste ano, a distribuição de mapas será acompanhada de uma campanha de informação com cartazes alertando para os riscos da travessia.