25 de janeiro, 2006 - 16h31 GMT (14h31 Brasília)
Guila Flint
Enviada especial a Jerusalém
O menor índice de comparecimento às urnas nas eleições para o parlamento palestino nesta terça-feira foi registrado em Jerusalém Oriental, segundo informações do Comitê Eleitoral da Autoridade Palestina.
Até às 13 horas, 40% dos eleitores registrados em todos os distritos dos territórios palestinos haviam comparecido às urnas.
Na Faixa de Gaza foi registrado o índice mais alto de comparecimento - 50% - e em Jerusalem Oriental apenas 17%.
O maior posto de votação na cidade se encontra na agência do correio na Rua Salah Adin.
Falta de privacidade
De manhã, o numero de jornalistas e observadores internacionais no local superava o de eleitores.
A delegação de observadores brasileiros, chefiada pelo emissário extraordinário para o Oriente Médio, embaixador Affonso Celso de Ouro Preto, visitou o posto no início da manhã.
Segundo os observadores, a votação no local estava transcorrendo normalmente, porém eles afirmaram achar estranho o fato de que no correio não havia cabines e os eleitores tinham que votar em público, sem privacidade alguma.
Durante o dia foram se aglomerando mais e mais pessoas em frente ao correio e no local se criou, gradualmente, uma manifestação contra a ocupação israelense.
Várias pessoas levantavam cartazes contra a anexação de Jerusalém Oriental por Israel e contra as restrições impostas pelas autoridades israelenses ao número de residentes que podem votar na cidade.
Ativistas do partido governista Fatah, distribuíam panfletos e carregavam cartazes apesar da proibição à propaganda perto das urnas.
Policiais israelenses se encontravam nas redondezas, porém a maioria deles manteve certa distância do posto de votação.
Extrema direita
O comandante da polícia israelense em Jerusalém, Ilan Franco, havia manifestado a preocupação com possíveis tentativas por parte de grupos palestinos de sabotar as eleições, e a polícia advertiu para o perigo de atentados por parte do Jihad Islâmico, que é contra a realização das eleições.
Durante a votação, porém, foi a extrema direita israelense que deu mais trabalho à polícia de Jerusalém.
Um grupo de deputados e ativistas tentou entrar a força no posto de votação do correio localizado perto do portão de Jaffa, na cidade velha.
Os ativistas tentavam impedir a realização das eleições porque, segundo eles, a votação para o parlamento palestino em Jerusalém significa um desafio à "soberania exclusiva" de Israel na cidade.
Alguns ativistas que se recusaram a sair do local foram presos pela polícia.
As urnas em Jerusalém Oriental devem ser fechadas às 19 horas (hora local) e em seguida serão transportadas para o Comitê Eleitoral da Autoridade Palestina, em Ramallah, onde será realizada a apuração.
De qualquer maneira, o resultado da votação em Jerusalém Oriental não deve ter impacto significativo no resultado geral.
Segundo o acordo entre Israel e a Autoridade Palestina, apenas 5 mil dos 105 mil eleitores de Jerusalém podem votar na cidade, e somente 4 mil se registraram.