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24 de janeiro, 2006 - 13h43 GMT (11h43 Brasília)

Os anjos de Nixzmary

Nixzmary Brown, de sete anos, morreu espancada pelo pai porque comeu um yogurt sem pedir permissão. As surras faziam parte do cotidiano de Nixzmary. A do yogurt, há dez dias, foi a última e definitiva.

Minha coluna da semana passada, Os Demonios de Nixzmary, deu a impressão que a sua morte não teve consequências maiores. Diante de um crime tão brutal, alguns jornalistas, como eu, ficam impacientes .

Faço aqui um mea culpa. Os pais de Nixzmary estão na prisão onde ele já levou varias surras. Seis diretores e assistentes sociais, diretamente ou indiretamente envolvidos no caso, foram suspensos ou removidos sem pagamento.

Como são funcionários públicos, não podem ser demitidos sem uma investigação mais profunda.

Desde a morte de Nixzmary, assistentes sociais da Administração dos Serviços de Crianças já removeram quase 200 crianças ameaçadas ou vítimas de maus-tratos que foram colocadas com famílias adotivas.

A prefeitura criou um novo departamento para fiscalizar o Serviço das Crianças, uma espécie de Ombusdman. Qualquer outro departamento ou divisão da cidade pode
fazer denúncias e exigir investigações quando houver suspeita de violência ou abuso de criança.

Comparada a outra cidades americanas, Nova York protege até bem suas crianças ameaçadas. Cada assistente social é responsável por, no máximo, doze casos enquanto a média no país é de 15.

O Serviço de Assistência Social às Crianças de Nova York já tinha sido reformado há dez anos por causa da morte de Elisa Isquierda, de 6 anos, maltratada pela mãe até a morte apesar de várias denúncias e alertas.

Crianças como Eliza e Nixzmary são vítimas de demônios caseiros mas salvam vidas de milhares de crianças. Elas são os verdadeiros anjos da guarda.