23 de janeiro, 2006 - 17h28 GMT (15h28 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
A Ford, segunda maior montadora dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira o fechamento de 14 unidades de produção na América do Norte e a demissão de 25 mil a 30 mil funcionários até 2012.
A intenção da empresa, o segundo maior fabricante de veículos dos Estados Unidos, é reduzir a produção para voltar a ter lucro nos próximos dois anos.
Os planos prevêem o fechamento de sete montadores de veículos e outras sete unidades de produção.
Os empregos que serão perdidos representam de 25% a 30% do total. A Ford tem cerca de 122 mil empregados - 87 mil que recebem por hora e 35 mil assalariados.
Os planos anunciados nesta segunda-feira referem-se somente às operações na América do Norte.
A assessoria de imprensa da empresa não quis afirmar categoricamente que não haverá demissões nas fábricas da empresa na América do Sul, mas reafirmou que a reestruturação diz respeito somente aos negócios nos Estados Unidos, México e Canadá.
No comunicado, a Ford lembra que a empresa teve lucro na América do Sul.
Reestruturação
A reestruturação foi anunciada por Bill Ford, presidente da empresa e neto do fundador, Henry Ford.
"No longo prazo, vamos criar novos empregos, mais estáveis e seguros. Temos que fazer um sacrificio agora, mas estamos a caminho da vitória", afirmou.
Cinco das fábricas que serão fechadas nos próximos dois anos já foram anunciadas, nos Estados americanos da Georgia, Missouri, Michigan e Ohio, e outra em Ontário, no Canadá.
A localização das outras duas será anunciada até o fim deste ano, de acordo com a empresa. As mudanças devem gerar uma economia de US$ 6 bilhões.
A Ford e outras montadoras americanas vêm perdendo espaço no mercado de veículos americano para companhias asiáticas, que oferecem modelos mais baratos e mais adaptados ao gosto atual do consumidor.
"O mercado automotivo na América do Norte está rapidamente se tornando tão cheio e fragmentado quando outros mercados globais", disse Bill Ford.
A Ford encerrou 2005 com uma fatia de mercado de 17,4%, o menor nível desde os anos 20.
A General Motors, líder do mercado, também anunciou no ano passado a demissão de 25 mil funcionários para enxugar a operação e reverter o prejuízo dos últimos anos.