22 de janeiro, 2006 - 13h32 GMT (11h32 Brasília)
Marcia Carmo
enviada especial a La Paz
Não é só o suéter de Evo Morales que vem sendo assunto nas diferentes rodas de conversa em La Paz.
“Suéter a la Evo?”, pergunta, sorridente, a vendedora de um dos mercados antigos da cidade. “Muitos turistas querem igual ao seu”, conta.
A horas da posse do primeiro presidente de origem indígena da história do país, os bolivianos se perguntam quem será a primeira-dama de Evo Morales.
“Preferia que ele tivesse uma indígena ao lado”, diz o taxista Fred Gómez, de 45 anos, que também é um aimara, como Evo.
“Mas só o fato de ele ter chegado lá é importante demais para todos nós.”
Primeira-irmã
Solteiro, pai de pelo menos uma filha de cinco anos, o novo presidente da Bolívia, avesso a falar de sua vida privada, escolheria a irmã, Esther Morales, de 50 anos, mãe de três filhos, para ocupar o lugar de primeira-dama.
Esther é dona de uma quitanda em Oruro, a mais de 200 km de La Paz.
Ela é a única mulher mais próxima do próximo presidente do país, cujos pais já morreram e que tem, além de Esther, um irmão.
Ainda não se sabe também se Evo vai morar ou não na residência presidencial, num lugar chamado São Jorge de la Paz.
Alpaca e vicunha
As roupas e hábitos de Evo prometem ser notícia dentro e fora da Bolívia.
Nesse domingo, jornais locais, como o La Razón, escrevem editoriais falando sobre a “esperança” que Evo gera ao chegar ao poder.
Outros, como o La Prensa, informam sobre a roupa típica que usará também na cerimônia de posse, nesse domingo.
A roupa deverá ser de lã e provavelmente com fios de alpaca e vicunha, as mais buscadas no país.
Nestes últimos dias, com o frio de até três graus pela manhã e pela noite, quando a chuva aumenta, é comum ver bolivianos e turistas abrigados com o suéter “a la Evo” - semelhante ou idêntico ao usado pelo presidente nos diferentes encontros com autoridades em diferentes continentes, logo depois que foi eleito em dezembro passado.
O preço da chompa, como o suéter é chamado na Bolívia, custa entre 70 e 200 bolivianos, dependendo da capacidade de pechinchar do comprador.