20 de janeiro, 2006 - 11h17 GMT (09h17 Brasília)
Um relatório sobre a conduta da Indonésia durante os 24 anos de ocupação do Timor Leste afirma que 180 mil timorenses morreram de fome ou de doenças.
O documento, que demorou três anos e meio para ser compilado, relata os abusos das forças de segurança indonésias, incluindo o uso da fome como arma de guerra.
O documento ainda não foi publicado oficialmente, mas uma cópia foi obtida por um jornal australiano, que publicou vários detalhes.
O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, vai entregar o relatório oficialmente na sede das Nações Unidas, em Nova York, nesta sexta-feira.
Comissão da Verdade
O relatório de 2,5 mil páginas foi produzido pela Comissão de Recepção, Verdade e Reconciliação do Timor Leste e se baseia em entrevistas de milhares de testemunhas.
Os relatos incluem fome, estupros, tortura e execuções usados como parte do que o documento descreve como um plano sistemático.
Há relatos de que o relatório também é crítico com relação a táticas utilizadas pela resistência timorense, liderada pelo atual presidente do Timor.
O território do Timor Leste ganhou independência depois de um referendo patrocinado pela ONU, em 1999, que foi em si o foco de violência generalizada.
Gusmão recebeu uma cópia há meses, mas se mostrou extremamente relutante a torná-lo público.
Tanto o governo indonésio como o timorense têm sustentado que querem deixar o passado para trás e olhar para o futuro.
Mas grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que os erros do passado podem ser relegados à história quando os responsáveis forem levados à Justiça.