19 de janeiro, 2006 - 15h27 GMT (13h27 Brasília)
Augusto Gazir
de Brasília
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou nesta quintas-feira a Brasília para encontro com colegas Luiz Inácio Lula da Silva e o argentino Néstor Kirchner dizendo que as assimetrias entre os países do bloco "tem que ser respeitadas (…) para fazer um novo Mercosul".
"Temos que tornar realidade dentro (do Mercosul) o que pregamos para fora. Temos que ter em conta as assimetrias para fazer um novo bloco. A integração não se faz pelos mercados se faz pela vontade política", disse.
Ele falou isso se referindo as declarações feitas na quarta-feira pelo presidente Kirchner.
Chávez também voltou a defender o Banco do Sul, uma espécie de BNDEs, (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O presidente venezuelano lembrou que também é preciso levar "a alma popular ao Mercosul" defendendo a participação de organizações populares, e afirmou que seria justo a Bolívia nacionalizar o gás.
Tarefa
Ao chegar ao Brasil na quarta-feira, Kirchner afirmou que a tarefa não só de Brasil e de Argentina, mas do Mercosul, é criar as condições para um bloco "que favoreça um desenvolvimento industrial", com políticas de "complementação intraindustrial" e com "Estados que orientem a integração dos setores produtivos".
O presidente argentino concluiu sua exposição sobre o Merscosul dizendo que o bloco está aguardando a hora "da incorporação plena" da Bolívia.
Os dois presidentes trocaram vários elogios entre si e reafirmaram a parceria Brasil-Argentina durante a uma hora em que se dirigiram à imprensa.
Para Luiz Inácio Lula da Silva, "Haiti e Bolívia são dois exemplos de como a estreita cooperação entre Brasil e Argentina pode ser benéfica para o progresso e para a paz em nossa região."
Brasileiros e argentinos enviaram militares para a força de paz no Haiti e, segundo Lula, estudam formas de ajudar a Bolívia. O presidente boliviano eleito, Evo Morales, deseja que o seu país receba mais pelo gás que exporta.
"Projeto de identidade"
Mais tarde, em discurso no Congresso Nacional, Kirchner disse que o Mercosul tem que “levantar uma voz, um projeto de identidade” que dê à região força para discutir com os outros blocos.
“Acabou a idéia de uma América do Sul ausente do mundo. Já não queremos ser o pátio traseiro, queremos ser parte ativa da construção dos novos tempos”, disse o presidente argentino.
Kirchner falou para senadores e deputados no plenário do Senado, em uma sessão solene do Congresso, realizada por causa da sua visita.
No Congresso, o presidente argentino afirmou que os legisladores têm “a responsabilidade de dar o andaime jurídico da integração” regional.