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18 de janeiro, 2006 - 20h52 GMT (18h52 Brasília)

Antiterrorismo prejudica direitos humanos no mundo, diz ONG

A organização Human Rights Watch, baseada em Nova York, diz que as políticas antiterrorismo das potências ocidentais estão prejudicando a defesa dos direitos humanos no mundo.

Em seu relatório anual divulgado nesta quarta-feira, a organização critica particularmente os Estados Unidos.

A ONG diz que a política dos Estados Unidos tem sido a de submeter detentos suspeitos de terrorismo a tratamento cruel e degradante.

O estudo também descreve como "sem sentido" as tentativas da Grã-Bretanha de obter garantias de que suspeitos de terrorismo não serão torturados se forem enviados para outros países.

Segundo a Human Rights Watch, a União Européia com freqüência respondeu de forma ineficiente a violações dos direitos humanos em outros países.

Interesses econômicos

O presidente americano, George W. Bush, "continua a oferecer garantias enganadoras de que os Estados Unidos não 'torturam' suspeitos, mas essas garantias soam vazias", diz o relatório.

Como resultado da falta de credibilidade do país em assuntos de direitos humanos deixou "vazia a liderança mundial quando a questão é defender os direitos humanos".

O relatório de 544 páginas diz que 2005 foi marcado por uma "tendência continuada a subordinar direitos humanos a vários interesses políticos e econômicos".

Segundo a organização, a Grã-Bretanha em especial ignorou abusos na Rússia e na Arábia Saudita para garantir contratos comerciais.

O estudo destaca ainda que a França e a Alemanha pressionaram a União Européia para acabar com embargo de armas para a China, apesar da falta de avanços no processo de punir os responsáveis pelo ataque a manifestantes na Praça da Paz Celestial em 1989.

De acordo com a ONG, existe uma "competição sem sentido" entre os líderes de Grã-Bretanha, França e Alemanha de proclamar a proximidade de suas relações com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, apesar das preocupações com os direitos humanos na Chechênia.