16 de janeiro, 2006 - 00h40 GMT (22h40 Brasília)
A presidente eleita chilena Michelle Bachelet, médica socialista de 54 anos, foi ministra da Saúde no governo de centro-esquerda de Ricardo Lagos, antes de se tornar a primeira mulher latino-americana a comandar um Ministério da Defesa, em 2002.
Especialista em pediatria e saúde pública, com pós-graduação em ciências militares, ela dirigiu a Juventude Socialista durante o governo de Salvador Allende.
Filha de um general da Força Aérea que morreu em decorrência da tortura sofrida durante o governo del Augusto Pinochet (1973-1990), Bachelet foi interrogada e também torturada antes de partir para o exílio.
Ela voltou ao Chile em 1979, para retomar os estudos de medicina e a atividade política.
Bachelet é uma mulher agnóstica, separada e com três filhos, cujo plano de governo prevê melhorias à proteção social oferecida à população, estímulo aos negócios e aprofundamento da democracia.
Exílio
Bachelet nasceu em 29 de setembro de 1951 em Santiago, a segunda filha da antropóloga Ángela Jeria e do general Alberto Bachelet.
Um ano após a morte do pai, que era colaborador do governo socialista de Allende, ela foi presa com a mãe e levada ao centro de detenção "Villa Grimaldi".
Após sofrer maus tratos, foi libertada e viajou com a mãe para a Austrália e a Alemanha Ocidental, onde continou a estudar medicina na Universidade Humboldt, de Berlim.
Após voltar a Santiago, passou a trabalhar pela volta da democracia. Após o fim do governo Pinochet e a posse do primeiro governo democrático, em 1990, atuou em diversas funções no Ministério da Saúde.
Naquela época, estudou estratégia militar na Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos (ANEPE) e, mais tarde, no Colégio Interamericano de Defesa, em Washington.
Durante 10 anos, Bachelet atuou como assessora governamental nas áreas de saúde e defesa, até ser chamada por Ricardo Lagos para encabeçar a pasta da Saúde, em 2000.
Em janeiro de 2002, Lagos a chamou de novo ao palácio presidencial, desta vez oferecendo a ela o o cargo de ministra da Defesa.
Foi nesse período que ela conquistou o respeito do Exército e sua popularidade aumentou nas pesquisas de opinião, qualificando-a para ser pré-candidata presidencial da Concertación, a aliança de centro-esquerda que está no poder desde a redemocratização, há 16 anos.