15 de janeiro, 2006 - 18h30 GMT (16h30 Brasília)
Marcia Carmo
Enviada especial a Santiago
Aos gritos de "2010, 2010", eleitores chilenos acompanharam a votação do presidente do país, Ricardo Lagos, que após seis anos de governo entregará o cargo no dia 11 de março.
O ano 2010 é uma referência ao próximo governo, depois do que será eleito, neste domingo, no segundo turno das eleições presidenciais.
"Lagos, amigo, o povo está contigo", insistiam os eleitores. "Lagos, amigo, o povo quer você de volta".
O socialista Ricardo Lagos apoiou a escolha da médica Michelle Bachelet para sua sucessão no Palácio presidencial La Moneda, mas não conseguiu transferir para a presidenciável os votos que poderia receber, hoje, caso fosse candidato.
Não volta
De acordo com pesquisa de opinião do instituto Mori, divulgada na sexta-feira, Lagos conta com 75% de imagem positiva, índice que cresceu nos últimos tempos.
Quando foi eleito, em 2000, numa eleição apertada, ele recebeu 51,3% dos votos contra 48,6% dados ao então candidato Joaquín Lavin, da UDI (União Democrática Independente).
"Os votos que Lagos poderia receber hoje não foram transferidos para Bachelet porque o empresariado mais conservador apóia sua gestão, mas prefere primeiro ver um socialista atuar para depois dizer que aprova sua administração", criticou o ex-ministro Alejandro Foxley, cotado para ser ministro das Relações Exteriores, caso Bachelet seja eleita.
Pela legislação eleitoral, segundo analistas, Ricardo Lagos poderia voltar a ser candidato em 2009, já que o país não tem reeleição, mas permitiria o retorno de um presidente após o intervalo de um mandato presidencial.
Mas a mulher do presidente, Luisa, negou, reiteradamente, durante diferentes entrevistas, que o marido, de 68 anos, pretenda voltar ao La Moneda.
Após o voto
Nesse domingo, logo após votarem, os candidatos Michelle Bachelet e Sebastián Piñera passaram a tarde com suas respectivas famílias.
Depois de dormir uma siesta (tirar um cochilo), como informou a imprensa chilena, Piñera preparava-se para passear de helicóptero com a família pela cidade.
Ele mesmo pilotando. Bachelet almoçava com a mãe, Ângela Jeria, de 79 anos, e os três filhos – Sebastián, Francisca e Sofia – num restaurante do hotel Sheraton, acompanhada de um tio que vive nos Estados Unidos e veio para acompanhar as eleições.
Seja qual for o resultado desta quarta eleição presidencial, desde a retomada da democracia, recorda-se, nas emissoras de rádio e de televisão do Chile, que ele será inédito.
Se Bachelet for eleita, será a primeira mulher presidente do país.
Se o empresário Piñera for eleito, será a primeira vez que um milionário ocupará o poder e também a primeira vez, em quase cinqüenta anos, que a direita será eleita para a presidência do país.
No primeiro turno, Bachelet teve cerca de 43% dos votos e Piñera 23%.
Mas como Piñera conquistou parte dos votos de centro, de eleitores que não se identificam com Bachelet, passou a aparecer com mais de 40% nas últimas pesquisas de opinião.
Ainda assim, acredita-se, que ela venceria o pleito.
Só o resultado oficial poderá confirmar ou desmentir as previsões.
A expectativa é de que as parciais, desta eleição tranqüila, com incidentes isolados, começarão a ser divulgadas a partir das 18h, hora local, uma hora a menos do que no Brasil.