06 de janeiro, 2006 - 10h49 GMT (08h49 Brasília)
Roland Pease
Quase 4 milhões de pessoas já morreram na guerra da República Democrática do Congo, diz um artigo publicado no jornal de medicina Lancet.
Se a informação for confirmada, trata-se do maior número de mortes em um conflito desde a Segunda Guerra Mundial.
O levantamento foi feito pelo Comitê de Resgate Internacional, com base em uma amostragem de 20 mil casas visitadas por uma equipe da organização em 2004.
De acordo com o artigo, a maior parte das mortes ocorre em decorrência de doenças facilmente preveníveis ou tratáveis, como malária e diarréia, mais do que pela violência em si.
Segundo os pesquisadores, as crianças são as principais vítimas da falta de cuidados.
Média mensal
A equipe do Comitê de Resgate Internacional visitou cerca de 20 mil casas no país ao longo de três meses em 2004, registrando nascimentos e óbitos ocorridos nos 18 meses anteriores.
Comparando as estatísticas com as de outros países da África subsaariana e com dados do próprio Congo anteriores à guerra, os pesquisadores concluíram que o conflito está matando 38 mil pessoas todo mês.
Os pesquisadores então projetaram a média mensal no período entre 1998, quando começou a guerra, e 2004, ano em que estiveram no país.
Em algumas regiões, as taxas de mortes chegavam ao dobro do que eram antes do início do conflito.
O artigo destaca a desnutrição generalizada e o colapso do sistema de saúde pública como conseqüências da guerra.
Para fundamentar o argumento, eles citam o caso de Kisangani, onde as taxas de mortalidade caíram 80%, quase retornando ao patamar pré-guerra, desde que os combates cessaram na região.
Os autores atribuem boa parte da responsabilidade à comunidade internacional, que acusam de responder de forma inadequada à crise.