05 de janeiro, 2006 - 07h24 GMT (05h24 Brasília)
Guila Flint
de Tel Aviv
São pequenas as chances de sobrevivência do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que foi hospitalizado às pressas na noite de quarta-feira com uma forte hemorragia cerebral, na avaliação do professor Tzvi Ram, diretor do departamento neuro-cirúrgico do hospital Ihilov, de Tel Aviv.
De acordo com Ram, o prognóstico de Sharon “é muito ruim, as chances de sobreviver a um derrame desta dimensão são poucas e as chances de poder voltar a um funcionamento normal são menores ainda”.
Após duas operações para tentar estancar a hemorragia, que duraram várias horas, os médicos que tratam Sharon no hospital Hadassa Ein Kaem, em Jerusalém, disseram na manhã desta quinta-feira que sua situação é “grave, mas estável”.
Segundo os médicos, o primeiro-ministro estava sendo mantido sedado na Unidade de Tratamento Intensivo do hospital.
O premiê havia sido levado de volta à mesa de operações na manhã da quinta-feira após ter passado por uma operação que durou mais de 6 horas durante a madrugada. Ele foi hospitalizado às pressas na quarta-feira, às 23h (19h em Brasília).
Ao término da primeira cirurgia, o primeiro-ministro foi submetido a uma tomografia computadorizada que indicou que, apesar dos esforços dos médicos, a hemorragia cerebral não havia sido estancada.
Os cirurgiões resolveram então que Sharon deveria retornar à mesa de operações, segundo o diretor do hospital Hadassa, Shlomo Mor Yossef, "para tratar de outras regiões do cérebro".
Situação política
O analista político Raviv Druker afirmou que o sistema político em Israel trabalha com a hipótese de que Ariel Sharon não vai poder voltar ao cargo de primeiro-ministro. "Trata-se de uma situação política inteiramente nova e cheia de pontos de interrogação", disse Druker.
Poucos minutos depois da chegada de Sharon ao hospital Hadassa, todos os seus poderes foram transferidos ao vice-primeiro-ministro Ehud Olmert.
Olmert deve reunir o gabinete durante a manhã desta quinta-feira. De acordo com analistas, o objetivo principal desta reunião é enviar uma mensagem de estabilidade e continuidade do poder em Israel.
Ehud Olmert, que saiu do partido Likud junto com Sharon para fundar o novo partido Kadima, é um de seus parceiros políticos mais próximos e apoiou o plano de retirada da Faixa de Gaza.
De acordo com o analista Raviv Druker, Olmert também apóia a retirada de Israel de grande parte da Cisjordânia.
As últimas pesquisas de opinião indicam a vitória do Kadima, liderado por Sharon, nas próximas eleições, previstas para o dia 28 de março.
Porém se Sharon deixar de liderar o partido o quadro pode vir a mudar, pois o Kadima se baseia quase que exclusivamente na figura dele.