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03 de novembro, 2006 - 16h35 GMT (13h35 Brasília)

Vice assumiu poder em Israel

Com a internação do primeiro-ministro Ariel Sharon, em coma, quem assumiu o poder em Israel foi o vice-primeiro-ministro, Ehud Olmert.

De acordo com a legislação israelense, ele poderia se manter no cargo por apenas cem dias, ao fim dos quais o presidente de Israel tem que se reunir com os líderes políticos do país para nomear um governo de coalizão.

Olmert obteve uma vitória apertada nas eleições parlamentares de março de 2006, com o partido Kadima (Avante).

Formado em direito, Olmert tem 60 anos, é casado e tem quatro filhos, e é considerado um dos aliados mais próximos de Ariel Sharon. Ele apoiou incondicionalmente o líder durante todo o difícil processo de retirada dos colonos da Faixa de Gaza.

Olmert também se manteve ao lado de Sharon em novembro, quando o primeiro-ministro decidiu se desligar do Likud, de direita, para formar um partido novo e mais ao centro, o Kadima.

Prefeito de Jerusalém

Ele foi prefeito de Jerusalém de 1993 até 2003, quando entrou no gabinete de Sharon. Desde então, ele vem adotando uma linha mais branda, em comparação a outros correligionários da cúpula do Likud.

Como prefeito, Olmert investiu pesadamente na melhoria do sistema de transportes e na infra-estrutura de águas e esgoto de Jerusalém.

Como vice-primeiro-ministro, Olmert conquistou a reputação de defender idéias polêmicas, permitindo que Sharon analisasse as reações para traçar a estratégia do governo.

De acordo com a imprensa israelense, Olmert e Sharon começaram a se aproximar enquanto o primeiro ainda era prefeito, em 2001. Seis meses depois, Sharon foi eleito primeiro-ministro e indicou Olmert para o gabinete.

Como recompensa pelo apoio ao plano de retirada da Faixa de Gaza, Sharon prometeu a Olmert um cargo na cúpula ministerial e lhe entregou a pasta de vice em fevereiro de 2003.

Olmert causou furor entre os políticos israelenses em dezembro de 2003, quando ele começou a circular a proposta de retirada dos colonos da Faixa de Gaza.

Artigo 'quente'

Na época, ele afirmou em um artigo no jornal Yediot Aharonot que a retirada era a única forma de Israel se manter judaico e democrático.

Ele lançou ainda um alerta sobre a alta taxa de natalidade entre palestinos, afirmando que, em breve, vai haver mais árabes do que judeus nos territórios ocupados por Israel.

Segundo o raciocínio de Olmert, para Israel se manter fiel à tradição judaica, seria necessária a criação de uma nova fronteira, com o máximo de judeus possível na parte judia.

Na época, os políticos que representavam os assentados no gabinete de Israel o acusaram de estar cedendo diante do "terrorismo".

Apesar da polêmica inicial, o plano de retirada acabou se transformando em política oficial e ganhou grande popularidade entre os isralenses.

O vice-primeiro-ministro israelense também foi um grande defensor da expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia, em torno de Jerusalém, durante os seus mandatos de prefeito.

Olmert é o sucessor e antigo rival de Benjamin Netanyahu, que entregou o cargo de ministro das Finanças em agosto de 2005 em protesto contra o plano de retirada.

Embora exista a rivalidade, muitos analistas identificam afinidades entre os dois líderes. Ambos são líderes naturais, bons oradores, fotogênicos e sabem lidar bem com a imprensa.

Olmert nasceu em Binyamina em 1945 e estudou direito. O pai dele também foi parlamentar em Israel.

Antes de ser eleito para o Knesset em 1973, aos 28 anos de idade, ele serviu como oficial de infantaria nas Forças Armadas de Israel.