02 de janeiro, 2006 - 16h11 GMT (14h11 Brasília)
A Radio Five Live da BBC, estação nacional que se dedica aos esportes, agora mesmo, no apagar das luzes do ano que se foi, elegeu entre seus ouvintes a melhor equipe de todos os tempos.
Conhecendo o chauvinismo dos britânicos, no escuro arrisquei: “Vai dar a seleção deles campeã do mundo de 66”. Pois errei redondamente, como dizem aqueles que lidam com bola de futebol.
A seleção inglesa pegou um modesto quarto lugar.
Sabem quem chegou em primeiro lugar? A seleção brasileira de 1970, aquela de Jairzinho, Rivellino, Gérson e – por que não dizê-lo? – "ele", Pelé.
Fomos, mais uma vez, campeões, desta feita eleitos por 56 mil votos, na frente do Liverpool que venceu por três vezes a Liga dos Campeões da Europa, com pouco menos de 50 mil votos. O terceiro lugar foi para o espetacular time do Real Madri, que foi pentacampeão da mesma liga, de 1956 a 1960.
Por falar em "penta". Em 1970, acompanhei todos os jogos de nossa seleção, ao vivo, pela TV, aqui mesmo em Londres.
Recebi depois os jornais e revistas, discuti com brasileiro que por aqui passou.
Nunca se falou em "tricampeão". Fora apenas – e apenas é pouco – o terceiro campeonato conquistado pelo Brasil e a taça Jules Rimet ficou definitivamente conosco.
Lembremos que era ano de general, ainda por cima Médici, no comando das ações governamentais brasileiras. Era ano de “90 milhões em ação”, segundo a marchinha do Miguel Gustavo. Bicampeão fora o Brasil, em 58 e 62.
Bicampeão o Botafogo, em 61 e 62 e também 67 e 68. Nada mais tricampeão que o Flamengo, de 42, 43 e 44. E por aí afora. Resumindo: bi, tri, tetra ou penta, tinha que ser em seguida.
O Brasil só se sagrou "tetracampeão" quando a imprensa decidiu, em 94, com aquela copa realizada nos Estados Unidos.
E o povão foi nessa, e a bobagem pegou.
Para mim, o Botafogo, que é meu time, deve ser, nimínimis, nimínimis, dodecacampeão, ou muito mais, só que eu não sei contar em grego ou latim.
Em tempo, sou bairrista e torcedor chato. O melhor time de todos os tempos foi o Botafogo campeão carioca de 1957.
Cuja escalação me vem à boca, na formação clássica de 1, 2, 3 e 5, como um pastel de queijo com caldo de cana.
Aí estão meus uni e maxicampeões. Adalberto, Tomé e Nilton Santos, Cacá, Pampolini e Servílio; Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Edson e Quarentinha.
Salve-os todos!