02 de janeiro, 2006 - 10h24 GMT (08h24 Brasília)
Um grupo de cientistas do Laboratório de Tecnologia e Ciência de Defesa da Grã-Bretanha afirma ter desenvolvido um método para fazer o diagnóstico de doenças antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem.
A intenção é detectar infecções pré-sintomáticas.
Os médicos britânicos conseguiram identificar alguns padrões de resposta do sistema imunológico que acontecem nos primeiros estágios das infecções.
O objetivo dos especialistas, que trabalham para o ministério da Defesa britânico, é diminuir o número de vítimas entre soldados que venham a ser atacados com armas biológicas.
No entanto, a descoberta dos cientistas pode beneficiar também civis, segundo o chefe da equipe de médicos, Roman Lukaszewski.
"A identificação antecipada dos infectados por agentes contagiosos de armas biológicas também pode reduzir o número de áreas e pessoas contaminadas por pessoas em estado pré-sintomático", afirmou Lukaszewski.
"As possibilidades para o mundo civil são enormes, e esperamos que a nossa pesquisa seja usada para detectar doenças antes mesmo de elas poderem se disseminar."
Septicemia
Os pesquisadores reuniram dados de diversos pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) o hospital Rainha Alexandra, em Portsmouth.
A UTI foi identificada como o local em que os pacientes têm mais probabilidade de desenvolver septicemia – uma doença grave caracterizada por uma infecção generalizada no sangue provocada por uma bactéria.
A septicemia pode levar à falência de órgãos e, conseqüentemente, à morte.
Os pesquisadores tentaram identificar características comuns nos estágios iniciais dos pacientes.
O estudo descobriu que os pacientes que desenvolveram septicemia mais tarde apresentavam padrões diferentes no sistema imunológico de acordo com a idade e sexo dos pacientes.
Isso levou os cientistas a concluírem que, em tese, é possível prever o início da doença.
O Laboratório de Tecnologia e Ciência de Defesa da Grã-Bretanha já entrou com pedido de registro de patente para o método de detecção precoce e acredita que seja possível aplicá-lo também a casos de infecções adquiridas de forma natural, além daquelas provocadas por armas bacteriológicas.
No entanto, os cientistas alertam que, para que seja criado um sistema de detecção confiável, ainda é preciso aprofundar o estudo.