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01 de janeiro, 2006 - 17h28 GMT (15h28 Brasília)

Damian Grammaticas
de Moscou

Rússia assume presidência rotativa do G8

A Rússia assumiu a presidência rotativa do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) pela primeira vez.

O posto dará ao presidente Vladimir Putin a oportunidade de dar ênfase ao papel da Rússia no cenário internacional.

Porém, alguns críticos dizem que a Rússia não é um país preparado para liderar o grupo.

O fornecimento global de energia deve ser um assunto importante de discussão, com a Rússia tentando demonstrar a importância de suas reservas de petróleo e gás.

Putin vai querer enfatizar aos membros do G8, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, que suas economias podem ser maiores do que a da Rússia, mas que eles precisam de seu país por não ter petróleo e gás suficientes para mantê-los abastecidos nos próximos anos.

Putin elegeu a restauração do prestígio da Rússia a principal questão de sua presidência.

Muitos russos continuam amargando a perda de influência do país após o colapso da União Soviética. Agora Putin será capaz de dizer que a Rússia está de volta, e com um verdadeiro poder de decisão sobre a mesa.

Críticas

Putin também irá pressionar por cooperação contra o terrorismo. E enquanto o primeiro-ministro britânico Tony Blair colocou o desenvolvimento na África no centro das discussões quando ocupou a presidência do G8, Putin dirá que deve-se priorizar também a pobreza nos ex-países soviéticos.

Porém, a presidência da Rússia também enfrentará críticas. Alguns senadores dos Estados Unidos afirmaram que a Rússia não deveria ser um integrante do que é um clube de democracias desenvolvidas, muito menos ser permitida a liderar a organização.

Originariamente, a Rússia foi admitida no grupo como um observador para ser encorajada a fazer reformas em sua economia e desenvolver-se democraticamente.

Mas a Rússia ainda não é uma das economias dominantes do planeta. E Putin tem sido criticado por processar adversários políticos, ser severo com a mídia e tolerar abusos dos direitos humanos por seu Exército na Chechênia.

Ele apoiou regimes repressivos como o do Uzbequistão e continua ajudando o Irã a desenvolver energia nuclear.

Portanto, o período da Rússia na presidência do G8 irá aumentar o prestígio russo, mas aumentará também a discussão de assuntos desagradáveis.