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30 de dezembro, 2005 - 11h58 GMT (09h58 Brasília)

Uribe pede apoio internacional à luta contra o tráfico

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez, pediu à comunidade internacional nesta sexta-feira uma maior cooperação na luta pela erradicação das drogas promovida pelo seu governo.

Em entrevista à BBC, Uribe anunciou que em janeiro será iniciada uma nova operação para combate aos cultivos ilegais, na mesma região onde foram mortos na última terça-feira 29 soldados em um enfrentamento com rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Desde o ataque, Uribe vem adotando uma retórica mais agressiva contra o grupo rebelde. Segundo o presidente, as Farc são hoje o maior fornecedor de drogas no planeta.

O ataque de terça-feira foi o maior das Farc contra os militares desde que Uribe assumiu a Presidência, em 2002, e parece ter interrompido os esforços de mediadores internacionais para o início de negociações entre o governo e os rebeldes sobre a troca humanitária de prisioneiros.

Erradicação

“A partir de 20 de janeiro entraremos lá com mais de 2 mil pessoas para erradicar as drogas manualmente. Elas serão combatidas com o número de policiais que for necessário. Não sairemos de lá até que tenhamos erradicado a última planta de droga”, indicou Uribe.

Uribe afirmou, porém, que o governo colombiano precisa de um maior apoio por parte da comunidade internacional para estas atividades.

O presidente disse que alguns países ajudam mais a Colômbia do que outros, mas se negou a citar os que não cooperam com seu governo.

Os pedidos de ajuda da comunidade internacional à luta da Colômbia contra as drogas e contra os grupos rebeldes começaram com o Plano Colômbia em 2000 – um esforço de bilhões de dólares que tem os Estados Unidos como principais financiadores.

Momento delicado

Para Uribe, cuja administração fez da luta contra o terrorismo e as drogas seu principal foco, o ataque da terça-feira veio num momento delicado, quando ele se prepara para lançar sua campanha pela reeleição nas eleições de maio de 2006.

Uribe lamentou o ataque, mas assegurou que ele não representa um aumento das atividades da guerrilha no país. “O país melhorou muito e em meio à melhora tivemos infortúnios como o desta semana”, disse.

“Mas para que fique claro ao mundo, neste ano erradicamos 31 mil hectares de drogas manualmente. Por isso mataram os soldados na selva, quando estavam cuidando da erradicação da droga em uma reserva ambiental.”

Uribe disse que a polícia e os militares correm altos riscos no trabalho de erradicação dos cultivos ilegais. Mas o presidente afirmou à BBC que os colombianos têm o direito de viver em um país livre de guerrilhas, grupos paramilitares, narcóticos e corrupção.

O tráfico de drogas é uma das principais fontes de financiamento para os grupos armados ilegais. Estima-se que esses grupos ganhem centenas de milhões de dólares anualmente com o narcotráfico.

As Farc e o grupo menor Exército de Libertação Nacional (ELN) estão envolvidos em uma guerra civil de mais de quatro décadas com as forças do governo e grupos paramilitares de direita.

Dezenas de milhares de civis já foram mortos como conseqüência do conflito.