30 de dezembro, 2005 - 15h50 GMT (13h50 Brasília)
O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, iniciou nesta sexta-feira uma visita a Cuba em sua primeira viagem ao exterior depois da histórica vitória obtida nas eleições do último dia 18.
Morales, que no mês que vem se tornará o primeiro presidente indígena da Bolívia, participará de uma reunião de trabalho com o líder cubano Fidel Castro em Havana.
Morales visitará outros países antes de assumir a Presidência no dia 22 de janeiro.
Depois de Cuba, de onde deve voltar para a Bolívia no sábado, Evo Morales deve visitar, a partir do dia 3, Espanha, França, Bélgica, África do Sul, China e Brasil, onde deve chegar no próximo dia 13.
Como sinal da relação próxima entre Cuba e o novo governo da Bolívia, Fidel enviou um avião oficial para buscar Morales e levá-lo a Havana.
A expectativa é de que a reunião entre os dois seja marcada por uma retórica antiamericana e pela defesa de uma unidade na América Latina.
O discurso de críticas aos Estados Unidos tem se fortalecido na região com o argumento de que os pobres pouco se beneficiaram das políticas de livre comércio introduzidas por governos latino-americanos com o apoio de Washington.
Admiração e prazer
Depois de sua vitória eleitoral, Evo Morales disse que admirava a "luta antiimperialista" de Fidel Castro. O governo cubano, por sua vez, expressou "prazer" pelo triunfo do novo aliado.
Além da troca de elogios, Fidel também poderia oferecer ajuda prática a Bolívia ao enviar ao país médicos cubanos, assim com já acontece na Venezuela.
O giro internacional de Morales não inclui os Estados Unidos, que eram uma parada obrigatória para os presidentes bolivianos anteriores.
A distância nas relações entre o governo americano e o presidente eleito da Bolívia aumentou com as declarações de Morales de que a Casa Branca teria lançado uma "campanha suja" para tentar impedir sua vitória nas eleições.
A reação oficial do governo americano ao triunfo de Morales se restringiu à afirmação de que os Estados Unidos julgarão Morales por suas ações, não por suas palavras.
Mas analistas avaliam que, sem dúvida, o presidente eleito da Bolívia, que já se definiu como um "pesadelo" para os Estados Unidos, preocupa o governo americano.