23 de dezembro, 2005 - 17h43 GMT (15h43 Brasília)
Paulo Cabral
do Cairo
Apesar da profunda ligação do Egito com a história do nascimento de Jesus Cristo – José e Maria fugiram para o país para escapar de Herodes – o Natal não tem raízes profundas num país em que quase 94% da população é muçulmana.
Os cristãos coptas – uma das mais tradicionais denominações do cristianismo – comemoram o Natal, mas com um simbolismo diferente do ocidental e seguindo o antigo calendário ortodoxo, que coloca a festa no dia 7 de janeiro.
No entanto, Papai Noel, bolinhas coloridas, pinheiros e neve artificial estão nas ruas e, principalmente, nas vitrines de lojas do Cairo, em especial aquelas instaladas nos bairros das classes mais altas e ocidentalizadas da capital egípcia.
O vendedor de uma floricultura que esta vendendo decoração de natal disse que tanto egípcios como estrangeiros têm entrado na loja para comprar árvores e enfeites.
“Os egípcios gostam de festa e esta é um época muito feliz do ano”, diz o vendedor Sabr Mahmoud, lembrando que logo em janeiro também vai acontecer o Eid, uma das principais festas do calendário muçulmano.
Cultura
Em outros países árabes menos abertos ao Ocidente, a comemoração do Natal não é tão ostensiva, mas o Egito costuma ser mais receptivo a estas influências.
Relatos na imprensa internacional indicam que Cristãos estão tendo mais liberdade para comemorar o Natal em diversos países muçulmanos do Golfo, com a exceção da Arábia Saudita, onde “práticas não-islâmicas” podem ser duramente punidas.
Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o governo relaxou recentemente as regras a respeito de celebrações religiosas que não sejam muçulmanas e autorizou a inédita apresentação, na rua, de uma peça teatral sobre o nascimento de Cristo.
O Líbano também tem comemorações devido a presença de uma grande população cristã.
A Cidade de Belém, na Cisjordânia – onde Jesus nasceu, segundo a tradição cristã –, também espera milhares de visitantes este fim de semana para as comemorações de Natal. A segurança foi reforçada na área.
Religião
Os muçulmanos aceitam a figura Jesus Cristo como um dos cinco profestas – o último e mais importante teria sido Maomé – que vieram trazer a palavra de Deus ao homem.
O islâmismo também acredita que Maria era virgem quando Cristo nasceu e que a bebê foi gerado por Deus, mas não que Jesus tenha características divinas.
Embora o dia do nascimento de Jesus seja descrito como muito importante no Corão, os muçulmanos não tem nenhuma festa especial – nem no dia 25 de dezembro nem no dia 7 de janeiro – para marcar a data.
Mas a globalização está cada vez mais derrubando estas barreiras culturais e do mesmo modo que os brasileiros estão se acostumando no mês de outubro a ver por todo lado motivos do americaníssimo Dia das Bruxas, as grandes lojas egípcias também não podem mais deixar de lado o Natal ocidental.
Comércio
Um dos maiores investimentos em decoração natalina neste ano foi feito pelo shopping center City Stars, no Cairo, numa zona de classe média alta da cidade.
A shopping é o maior do Egito e reclama o título de também ser o maior do Oriente Médio.
O destaque da decoração é uma grande árvore de Natal feita de tecido, subindo pelos seis andares do vão central o prédio.
“Este é um centro muito grande e não podemos deixar de lado a decoração de nenhuma das principais datas festivas do ano, de nenhuma das religiões. Todo mundo gosta de festa e não podemos deixar de ter a comemoração aqui”, diz o gerente-geral do shopping, Elhamy El-Kardany.
O executivo explica que a empresa aproveitou algumas das idéias que foram usadas na decoração do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que neste ano caiu em outubro.
“A árvore de natal feita de tecido é uma idéia que veio das tradicionais tendas do Ramadã”, disse.