23 de dezembro, 2005 - 08h35 GMT (06h35 Brasília)
Os perigos do Natal não se limitam ao lar, onde a árvore enfeitada pode pegar fogo, e o menino com o vídeo-jogo, depois de levar um bom choque, provocar um curto-circuito, subseqüente incêndio e o discar 999 para chamar os bombeiros.
Bombeiro, depois de Papai Noel, é quem mais trabalha no Natal britânico.
Em terceiro lugar, empatados, médico, enfermeiro, zelador, qualquer pessoa que labute em hospital nestas ilhas, pau a pau com a polícia.
Por falar em pau: o grande problema é esse. O pau comer. O pessoal sai, imbuído do notório espírito natalino, bebe umas e outras, depois outras e umas, daí recomeça o processo e, finalmente, cai duro no chão, a bem dizer, nos chãos.
Nos chãos dos bares, do escritório em festa, do ônibus, do metrô. Ou, não tendo chão, na rua mesmo. Calçada, asfalto ou paralelepípedo, tanto faz. O importante é sucumbir aos efeitos do álcool.
Não sem antes, ou durante, uma boa briga. Beber e não provocar uma lenha, aqui, é coisa de coroinha, caxias, filhinho de papai, camarada que acabou de entrar em "união civil" com outro camarada (é a grande moda deste Natal), por aí.
Assim como os americanos que, para não mexer com religiosidades, houveram por bem desejarem uns aos outros "feliz feriados" em vez de "feliz Natal", os britânicos deveriam mudar o seu "happy Christmas" (americano é que dizia "merry") para "feliz porre e boas cacetadas".
Ficaria mais original e mais próximo da realidade dos fatos, estatísticas e deprimentes campanhas contra o excesso do consumo de bebidas alcoólicas.