24 de dezembro, 2005 - 06h04 GMT (04h04 Brasília)
Stephanie Hancock
de Ndjamena
O Chade diz que está em "estado de guerra" com seu vizinho Sudão por causa da crise de segurança no leste do país.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o governo acusa o Sudão de ser "o inimigo comum do país" depois de um ataque de rebeldes chadianos a uma cidade na semana passada.
Também convoca os chadianos a se mobilizarem contra a agressão sudanesa.
As relações entre os dois países se deterioraram desde que o Chade acusou o Sudão de estar por trás do ataque a Adre, no domingo, quando cerca de cem pessoas morreram.
A linguagem forte da nota vai alarmar observadores que já vinham alertando que tensões na fronteira entre o Chade e o Sudão estavam perto do ponto de rompimento.
'Frente patriótica'
Depois do ataque de domingo, o Chade acusou o Sudão de estar ajudando os rebeldes chadianos.
A nota divulgada pelo governo do Chade nesta sexta-feira é a mais agressiva já emitida.
No comunicado, o governo alega que não apenas o Sudão está por trás do ataque em Adre, como também acusa as milícias sudanesas de fazer incursões diárias no Chade, roubando gado, matando pessoas inocentes e queimando vilas na fronteira.
"O Chade hoje está em estado de guerra com o Sudão", diz a nota, que pede aos chadianos que formem uma frente patriótica contra o que chama de "inimigo comum do paí".
Na declaração, o governo agradece à comunidade internacional pelo apoio recebido até agora, mas diz que as condenações da violência recente em Adre não vão longe o suficiente.
Também apela à comunidade internacional, incluindo a União Africana, para que condene de forma específica o que alega ser o envolvimento do Sudão no ataque em Adre.