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20 de dezembro, 2005 - 07h45 GMT (05h45 Brasília)

Natal americano: mais gay, menos cristão

Apesar dos machões na Casa Branca e do assanhamento da Direita Cristã, 2005 foi um ano recordista de gays na cultura pop americana.

Na televisão, é impossível uma noite ou mesmo uma tarde sem comédias ou dramas envolvendo homossexuais, e este ano Hollywood nos deu nove filmes com temas ou personagens gays.

Neste momento, dois cowboys gays estão ameaçando o natal do gorila. O duelo ainda não está decidido. King Kong começou mal nas bilheterias, mas Titanic, também com suas três horas, quase afundou nos primeiros dias.

Depois cruzou mares rumo ao maior faturamento da história do cinema.

A surpresa nesta semana de natal é Brokeback Mountain, um filme sobre dois cowboys que se apaixonam na irresistível paisagem das montanhas de Wyoming.

Um deles, Heath Leger, é até parecido com o presidente Bush, um pouco mais atraente.

Depois do romance na montanha, os cowboys se casam, têm filhos mas a paixão resiste.

O filme está seduzindo até o interior americano. Estreou num pequeno número de cinemas e, proporcionalmente, vendeu mais ingressos do que King Kong inclusive em Plano, no Texas.

Em Wyoming, onde o linchamento de um gay há poucos anos teve repercursão nacional, desde o lançamento do filme vários cowboys se revelaram homossexuais e posaram com seus amantes, cavalos, vacas, ovelhas.

Os conservadores estão chocados. Já estavam abatidos com a derrota do Natal, que nos Estados Unidos virou um palavrão empacotado no comercialismo e no politicamente correto para agradar crentes e descrentes.

A expressão Merry Christmas foi banida das grandes cadeias comerciais e até do cartão oficial da Casa Branca.

Feliz Natal pode ofender quem não é cristão. Agora, para você, Happy Holidays.