18 de dezembro, 2005 - 22h55 GMT (20h55 Brasília)
Adriana Stock
Enviada especial a Hong Kong
A próxima reunião ministerial da OMC, que deve acontecer antes de abril do ano que vem, deve discutir a questão dos subsídios domésticos e o acesso a mercados.
Na opinião de Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), os dois temas "são muito mais importantes para o Brasil."
Os subsídios à exportação concedidos na União Européia aos seus produtores rurais somam 2,4 bilhões de euros anuais.
São esses subsídios que irão desaparecer no bloco europeu até 2013 – data que aparece na declaração final da Sexta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) – e contra os quais o G20 lutava.
“Não é nada comparado ao total de US$ 120 bilhões de subsídios concedidos ao redor do mundo”, disse Jank.
Já na Política Agrícola Comum (PAC) esses subsídios agrícolas estavam condenados a desaparecer.
Amorim
Durante o encontro em Hong Kong, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentava que a data da eliminação dos subsídios à exportação seria "gesto simbólico".
O chanceler brasileiro disse que não queria “pagar duas ou três vezes por essa data".
O preço a que Amorim se referia foi o fato de os países pobres e em desenvolvimento terem cedido à pressão das nações ricas para que também abrissem seus mercados na troca de maior acesso nos mercados das nações ricas.
"Aceitamos negociar serviços e bens industriais nessa rodada porque eles estavam interessados em reduzir os subsídios à exportação. Daí tivemos que pagar de novo e dizer que concordaríamos em usar uma fórmula em Nama (bens industriais) e outras coisas em serviços."