18 de dezembro, 2005 - 11h11 GMT (09h11 Brasília)
Adriana Stock
Enviada especial a Hong Kong
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que recebeu a autorização dos seus parceiros do G20 para aceitar o segundo rascunho da declaração final de Hong Kong apresentado neste domingo.
O texto traz a data para a eliminação dos subsídios à exportação: 2013, com redução “substancial” por volta de 2010.
Embora não tenha sido a data que o G20 queria, Amorim disse que o texto que trata de agricultura representa um “avanço modesto, mas não insignificante”.
“Modesto porque não progrediu em acesso a mercado”, observou. “Ter duas datas também não foi o ideal, mas é um pequeno progresso.”
Os ministros estão analisando esse segundo rascunho para anunciar a decisão final: se o aceitam ou não.
Amorim disse que, se houver alguma mudança, terá que consultar os membros do G20 novamente.
Tempo
Os ministros correm contra o tempo para concluir a declaração dessa reunião de cúpula.
As últimas horas de negociação têm sido intensas em Hong Kong. Os ministros estão realizando reuniões 24 horas sem parar.
As divergências em relação a data para a eliminação dos subsídios agrícolas foi motivo de impasse e troca de acusações entre os negociadores.
Fontes que estiveram presentes no encontro disseram que o clima era de extrema irritação entre os negociadores.
Em um certo momento, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, teria confrontado o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, quando Lamy sugeriu que os europeus aceitassem colocar no rascunho do acordo dois prazos: 2010 ou 2013 (proposta dos próprios europeus).
Mandelson teria gritado: “Você não é mais comissário (Lamy ocupou esse cargo entre 1999 e 2004). Não me diga o que tenho que fazer”.
Uma outra pessoa que acompanhou as negociações contou que Mandelson chegou a dizer que teria um “complô dos Estados Unidos, Brasil e Lamy contra a União Européia”.