17 de dezembro, 2005 - 19h40 GMT (17h40 Brasília)
Adriana Stock
Enviada especial a Hong Kong
O livre acesso de tarifas e de quotas nos mercados ricos para todos os produtos de países menos desenvolvidos poderia levar a ganhos adicionais de até US$ 8 bilhões por ano a essas nações pobres, pelos cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU).
A ONU estima ainda que os ganhos adicionais nas exportações seriam de US$ 6,4 bilhões.
Mas, caso um produto fique isento desse livre acesso, os ganhos seriam menores. Se, por exemplo, os Estados Unidos excluírem os produtos têxteis do sistema, os ganhos seriam entre 10% e 15% menores.
As estimativas foram apresentadas neste sábado, em Hong Kong, durante apresentação da ONU.
ONGs
O livre acesso de tarifas e quotas nos mercados é um dos itens do pacote de desenvolvimento que estará presente na declaração final da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong.
“Um bom acordo em Hong Kong é muito relevante para os países menos desenvolvidos”, disse Anwarul Chowdhury, vice-diretor do Departamento para Países Menos Desenvolvidos da ONU.
O rascunho da declaração foi criticado por ONGs presentes ao encontro em Hong Kong.
“Esse não é um texto aceitável, e se esse encontro terminar sem mudanças terá falhado com os pobres”, disse a Oxfam em um comunicado.
A ONG War on Want disse que o rascunho “caiu como uma bomba nas negociações comerciais em Hong Kong”.
Já a ONG Action Aid criticou o item de livre acesso de tarifa e de quotas: “Na prática, os países ricos poderão evitar dar acesso a mercado aos produtos que realmente interessam aos países pobres”.
Na questão do algodão, a Action Aid diz que haverá corte de subsídios à exportação para esse produto, mas que “90% dos subsídios em algodão são concedidos sob forma de subsídios domésticos”.