14 de dezembro, 2005 - 21h23 GMT (19h23 Brasília)
Adriana Stock
enviada especial a Hong Kong
União Européia e Suíça se recusaram nesta quarta-feira a discutir primeiro a questão agrícola na reunião entre os 30 principais negociadores da Rodada Doha, encerrando sem progressos o segundo dia da Sexta Conferência Ministerial da OMC.
No encontro, apelidado de "Reunião do Pijama" (os ministros vestem roupa informal e trabalham até o meio da madrugada), foi discutida uma lista de 12 temas.
"As discussões não estão fáceis. Vários negociadores tentaram focalizar na parte agrícola e de subsídios à exportação por acreditarem que isso trará um resultado imediato em Hong Kong (...) Mas a União Européia e a Suíça resistiram", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Um dos temas abordados foi a data para o fim do subsídio à exportação, mas não houve nenhum avanço.
Em declarações antes da reunião, o comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson, disse que "quer negociar a eliminação de todos os subsídios à exportação", mas que, para isso, "precisaria haver progresso nas demais áreas – bens industriais e serviços".
Aspecto positivo
Mesmo na falta de resultados concretos, Amorim, visivelmente cansado, apontou um aspecto positivo do encontro.
"Não posso caracterizar o que aconteceu hoje como progresso, mas mostrou que muitos países compartilham da mesma visão política. Há dois apenas que não compartilham: União Européia e Suíça.”
Os negociadores correm contra o tempo, já que são vários assuntos a discutir até o domingo, quando termina a conferência.
Keith Rockwell, porta-voz da OMC, disse que "tem que haver um progresso logo nos próximos dias", mas que ainda "não há razão para pânico".
Em uma outra reunião, países da África e do Caribe, produtores de banana e de algodão, pressionaram os países ricos a analisar um acordo para estes produtos durante a reunião de Hong Kong.