14 de dezembro, 2005 - 10h00 GMT (08h00 Brasília)
O jornal argentino Página 12 afirma nesta segunda-feira que “a dívida zero ganhou do Fome zero”, referindo-se ao anúncio feito pelo governo brasileiro de que vai antecipar o pagamento de US$ 15,5 bilhões em dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O diário portenho afirma que o gesto transmite um sinal “em planos distintos”.
Por um lado, diz a reportagem, ressalta a solvência da economia brasileira e descarta a possibilidade de um calote à Argentina.
Por outro, serve para “polir a imagem” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vistas à eleição presidencial do ano que vem.
Outro diário de Buenos Aires, o Clarín, diz que, com a decisão, Lula “aplicou uma receita que Kirchner preparava havia algum tempo”.
O jornal diz que o presidente argentino, Néstor Kirchner, vem namorando a idéia de quitar as dívidas do país com o FMI desde que assumiu o cargo, em maio de 2003, mas foi Lula quem a levou em frente, “mesmo sem ter dado sinais” de que iria fazê-lo.
Por sua vez, o La Nación observa que seguir o exemplo brasileiro “não é uma alternativa” para a Argentina no momento, mas pode ser no final de 2006, “caso a economia cresça com um superávit”.
Israel, pró-Assad
Na Espanha, o jornal madrilenho ABC desenvolve a tese de que Israel é “o melhor advogado de defesa do regime de Bashar Al-Assad”, o presidente da Síria.
O jornal argumenta que, enquanto os Estados Unidos e a França consideram que esta é uma boa hora para mudar o regime sírio, os israelenses acreditam que isso acarretaria “a subida ao poder dos (grupos) islâmicos ou políticos e militares menos manejáveis” que Assad.
“O remédio seria pior que a doença”, dizem fontes diplomáticas israelenses citadas pelo ABC.
Para eles, um regime sírio debilitado, como o atual, está mais sujeito a ceder a pressões da comunidade internacional.
Fora do Real?
Outro jornal espanhol, o Mundo Deportivo, de Barcelona, afirma que o atacante Ronaldo quer deixar o Real Madrid no final da atual temporada.
De acordo com a reportagem, Ronaldo expressou este desejo em uma conversa na semana passada com o presidente “merengue”, Florentino Pérez.
A decisão foi motivada, entre outras razões, pela saída já consumada do técnico Wanderlei Luxemburgo e pelo anúncio do lateral-esquerdo Roberto Carlos de que vai embora do Real Madrid em junho do ano que vem.
O jornal afirma ainda que Ronaldo “não se sente querido pela torcida do (estádio Santiago) Bernanbéu e não entende por que é vaiado” quando joga em Madrid.
Futebol e tráfico
E o El País, de Madrid, destaca declaração de um alto dirigente da Uefa, a entidade máxima do futebol europeu, de que os grandes clubes de futebol estão ajudando a incentivar o tráfico de menores.
Lars-Christer Olsson, o secretário-geral da entidade, diz que o problema está no fato de que o futebol possui uma série de leis próprias que invalidam as regras aplicadas pelos tribunais de países onde são formados jovens jogadores.
Isso seria observado especialmente em países da “África e da América do Sul, que se vêem espoliados de seus jovens e não dispõem em seus sistemas judiciais da capacidade de lutar contras normas impostas” na Europa, diz o El País.
O resultado é a existência de um “tráfico de crianças, clubes que traficam com jogadores, famílias inteiras que vão da América do Sul para a Europa”, afirma Olsson.