13 de dezembro, 2005 - 14h27 GMT (12h27 Brasília)
Deborah Bonello
em Córdoba
Uma escola primária na cidade de Córdoba, na Argentina, está dando aulas especiais para mulheres que trabalham na indústria do sexo.
Elas aprendem a ler e a escrever, além de matemática, e a ter mais respeito próprio, como parte de um programa iniciado em outubro 2003.
Na Argentina, cerca de 90% das prostitutas jamais terminaram a escola primária, segundo Maria Eugenia Aravena, a fundadora da escola, que também já trabalhou na indústria do sexo.
A escola é baseada na Associação das Mulheres Prostitutas da Argentina, que dá apoio à iniciativa, que só recebeu dinheiro do governo para a compra de alguns livros.
A entidade começou com 10 alunas, mas agora já conta com 22.
Ler e escrever
Patrícia, 41 anos, que trabalhou 25 anos como prostituta e é uma das estudantes, diz que a escola já lhe ajudou a melhorar bastante.
Ela diz que está deixando para trás, por exemplo, “a vergonha que você sente quando não sabe falar direito, quando você leva os filhos para a escola”.
“Aprender a escrever está sendo muito útil para mim”, diz ela.
Outra aluna, Melissa, 21 anos, diz que a escola lhe ajudou a enfrentar uma situação difícil quando foi expulsa de casa por ter ficado grávida.
“Agora eu conheço Maria Eugenia e as outras, e sinto que não estou sozinha, e nem o bebê”, diz Melissa, cujo filho tem 10 meses de idade.
Respeito próprio
Um dos objetivos do programa, segundo Aravena, é mostrar às prostitutas a desenvolver um sentimento de poder e de respeito próprio.
A prostituição não é um crime na Argentina, mas é uma atividade altamente estigmatizada, e Aravena diz que a sociedade diz a estas mulheres que elas não servem para nada, devido à sua profissão.
Se elas são aceitas na comunidade, diz ela, as prostitutas se sentem menos envergonhadas e aprendem que são capazes de fazer outras coisas.
“Você cresce enquanto mulher, sua mente se amplia”, concorda Patricia.
“Eu estou realmente orgulhosa de ter sido uma trabalhadora e não tenho que baixar minha cabeça para ninguém.”