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05 de dezembro, 2005 - 11h49 GMT (09h49 Brasília)

Muu! Braap! Muu!

Sempre fiz questão de desconhecer solenemente a existência das vacas.

Servem de paisagem rural e, não estou bem certo, parece que leite e uma porção de seus derivados, inclusive o filé com fritas, têm algo a ver com os bucólicos e meio tolos animais irracionais.

Minha indiferença às vacas só era comparável à minha indiferença aos ministérios da fazenda de países do Terceiro Mundo. Eu disse “era”. Agora, graças aos progressos da ciência, empombei para valer com as vacas.

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A ciência, mediante seus derivados, os cientistas, informa a quem quiser saber, em belíssimas publicações especializadas, que as vacas são responsáveis por boa parte do efeito estufa que, todo mundo sabe, é o responsável pelas mudanças climatéricas que deverão ter início, em todo o globo terrestre, a partir das 13 horas do dia 23 de abril do ano de 2786, quando as coisas – todas as coisas – vão, para recorrer a um lugar-comum, esquentar para valer.

E grande parte dessa catástrofe se deve a… a… às vacas.

Não só às suas bestíssimas ruminações idiotas nos campos deste pobre planeta, mas às suas flatulências.

É oficial, é científico: as flatulências vacais contribuem com seu metano e seu dióxido de carbono para o esquentamento planetal que se avizinha.

Parem de culpar carros e caminhões, usinas de energia e os pobres dos combustíveis de fósseis.

Nós, humanos racionais, somos 6 bilhões e 500 mil neste planeta sem graça. Elas, as vacas irracionais, são 1 bilhão e 400 milhões. Flatulando o tempo todo. Parem com isso, vaquinhas! Mais “muu” e menos “braap”.

Curioso o cinema não ter se aproveitado das vacas e suas flatulências para fazer um desses filmes de hecatombe terrestre. Mais curioso ainda: e nós, 6 bilhões e 500 mil, com nossas flatulências? Seremos tão superiores assim, tão isentos de culpa, quanto as débeis mentais das vaquinhas?

Gente ou vaca, eu quero é ver o filme.