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02 de dezembro, 2005 - 07h48 GMT (05h48 Brasília)

O velho e o novo

Há sempre um bobo alegre que vai e diz, “Fulano é o novo Sicrano”. Sempre no que diz respeito a celebridades, tal como em geral são desconhecidos (quem dera).

Outro dia mesmo, morreu aqui, no hospital lá perto de casa, aos 59 anos, o George Best, rapaz da Irlanda do Norte que, quando eu cheguei aqui pela primeira vez, em 1968, era a coqueluche nos sangrentos campos de futebol destas ilhas, onde se morria e morre de pontapés e não de tosse espasmódica.

George Best driblava e marcava gols. Tão bom que parecia um atacante brasileiro de time de segunda divisão. Isso é mentira minha. Maldade. Talvez mágoa. Best era bom mesmo. Pra valer.

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O registro visual de suas grandes jogadas e gols estão passando e repassando na televisão. Morreu de bebida. O que ele comia de bola em campo, derramava no copo e virava para trás nos pubs dos bairros na moda.

Lembro de uma vez, em 1969, com Tom Jobim e Paulo Francis, termos dado uma chegada ao pub do Tom, no sentido de que era o mais próximo da casa onde estava fazendo a partitura musical de um filme que é até maldade mencionar. Portanto, menciono logo: “Os Aventureiros”, baseado em best-seller do Harold Robbins e com o Charles Aznavour.

Mas voltemos ao pub. Em King`s Road, ainda em seus anos de glória. Restaurantes maus e caros, mocinhas bonitas razoavelmente baratas de minissaia. Lá estava, num sábado à tarde, véspera de jogo, George Best bebendo na rua, sorrindo e abraçando todo mundo. Não podia dar certo nem acabar bem. Não deu nem um nem outro.

Ora, pois, pois. Menos de uma semana do homem morto, veio o Wayne Rooney, atual ídolo do Manchester United, irmão gêmeo do Incrível Hulk e declarou para a grande imprensa: “Eu quero ser o novo George Best”. Publicaram sem discutir.

Ninguém percebeu que nada mais fácil que ser o novo George Best. Basta entrar no bar e lá ficar concentrado durante, digamos, uma semana. Sem bola, apenas derramando. Oito dias depois, tudo pronto: enterro pra um. Duro não é ser o novo George Best, é ser o velho você mesmo.