01 de dezembro, 2005 - 09h49 GMT (07h49 Brasília)
O jornal espanhol El Mundo afirma nesta quinta-feira que a ampliação do Mercosul por meio do ingresso da Venezuela “separa” os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner.
O diário madrilenho diz que os líderes do Brasil e da Argentina “não chegaram a um acordo” sobre o assunto na reunião de quarta-feira em Puerto Iguazú.
O El Mundo diz que Kirchner está tentando convencer seu colega brasileiro de que a entrada da Venezuela seria benéfica para o bloco.
“A Lula, porém, assusta a idéia de que Hugo Chávez, o garoto terrível da região, se torne membro do clube”, diz a reportagem.
Na Argentina, o La Nación tem uma visão mais otimista, dizendo que Lula e Kirchner “reforçaram sua aliança” durante o encontro, graças a gestos como a promessa feita pelo brasileiro de dar ao colega argentino uma camisa do jogador Tévez, caso seu Corinthians se sagre campeão nacional.
E o Clarín diz que o Brasil “mudou sua linguagem” em relação à Argentina, dando “um claro sinal de respaldo” ao país vizinho.
Bush e o Iraque
Nos Estados Unidos, o The Washington Times elogia em editorial o discurso feito na quarta-feira pelo presidente George W. Bush a respeito da situação no Iraque.
O jornal diz que a “elite de Washington” deve ter ficado irritada com a promessa de Bush de que os americanos não aceitarão “nada menos que uma vitória completa” no Iraque, algo que seria um “eufemismo, caso alguém mais em Washington, além do presidente e seu gabinete, tivesse a coragem de dizer”.
O The New York Times tem uma visão diferente, dizendo que o discurso mostrou que Bush só tem um plano: dizer que os Estados Unidos vão vencer, sem porém explicar como.
“Já vimos este filme antes: um presidente em dificuldades tão imerso em seu círculo íntimo que perde completamente o contato com o público e perambula em torno de pequenos grupos de pessoas que concordam com ele”, diz o jornal, comparando Bush ao pai dele e a Richard Nixon.
As declarações de Bush também não foram muito bem recebidas por jornais árabes baseados em Londres, com o Al-Hayat, que diz que “não vai fazer diferença” chamar a “retirada” das forças americanas do Iraque de uma “estratégia nacional para a vitória”.
Já o Al-Quds Al-Arabi diz que Bush “vai enfrentar sérias dificuldades para cumprir sua promessa de conseguir uma vitória no Iraque” porque “a guerra foi imoral, injusta e baseada em mentiras”.
Bruna Surfistinha
O Clarín dá destaque para o sucesso do livro O Doce Veneno do Escorpião, de Bruna Surfistinha.
O jornal diz que a autora, cujo nome real é Raquel Pacheco, “se prostituiu, escreveu tudo o que viu e agora é uma best-seller”.
Ela festejou que “Bruna Surfistinha agora também é internacional” ao dar sua entrevista ao Clarín, diz o jornal.
Por sua vez, o francês Libération traz um apanhado a respeito de livros de autores brasileiros publicados na França, abrindo com a constatação de que “não sabemos nada sobre o Brasil”.
O autor da compilação, Eric Loret, afirma que “o mercado editorial brasileiro é reduzido, e público leitor, minoritário”.
Além disso, segundo ele, do “pouco” que é publicado no Brasil, “ainda menos é traduzido para o francês”.