25 de novembro, 2005 - 05h11 GMT (03h11 Brasília)
Louisa Lim
A crise causada pela contaminação química do rio que abastece a cidade chinesa de Harbin e a suspensão do fornecimento de água parece ter aproximado seus moradores.
Em uma cidade sem água, os carros-pipa se transformaram em centros comunitários móveis.
As pessoas formam filas carregando baldes de plástico, vasilhas, panelas e até mesmo garrafas.
Essa é a cidade desta região chinesa mais próxima da fronteira com a China e as temperaturas já se encontram abaixo de zero, mas os habitantes locais estão acostumados a enfrentar dificuldades.
Confiança
Enquanto esperam, eles dão risada e brincam, trocando dicas de como cozinhar sem desperdiçar água.
Parece que a crise vem aproximando essa gente.
Visitando suas casas, se constata que eles guardam água em todos dos lugares possíveis.
Fui à uma residência onde a banheira estava cheia e ouvi relatos de pessoas enchendo suas máquinas de lavar roupa para uma eventualidade futura, já que ninguém sabe ao certo quando o fornecimento normal vai ser restabelecido.
Para alguns, esse desastre ambiental reforça a confiança absoluta de que o Partido Comunista pode lidar com o problema causado pela mancha tóxica de 80 km.
Revolta
"É claro que o Partido vai cuidar de nós", diz uma mulher. "Eles não vão nos deixar com sede".
Existe descontentamento também. Alguns negócios tiveram que fechar, como casas de banho público, lava-rápidos e salões de beleza.
Os proprietários reclamam de perdas financeiras.
Outros, começam a questionar se seus líderes mentem para eles, já que o motivo alegado para a paralisação do fornecimento de água foi que se tratava de reparos de rotina.
A causa real só foi admitida posteriormente.
Existem muitas razões para revolta, seja o acidente em si como a resposta do governo.
Por hora, entretanto, a prioridade é encontrar água suficiente para esses dias.