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24 de novembro, 2005 - 07h41 GMT (05h41 Brasília)

A graça de Lara

Lara Logan é linda à primeira vista e às vezes causa constrangimento porque é difícil tirar os olhos dela. Eu sei porque ela trabalhava como produtora de uma TV inglesa numa sala perto da minha. Era fina e firme. Não dava bola para ninguém.

Os que ousaram convidá-la para sair ouviram que ela estava comprometida com um jogador de basquete em Londres.

A última vez que a vi em carne e osso foi em 1990 e, há dois anos, fiquei pasmo quando a vi descer de um tanque no Iraque, correspondente do melhor programa de telejornalismo americano, o 60 Minutos da CBS.

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Na imprensa americana, ela tem prestígio pela coragem e obstinação. E ninguém reclama da beleza. Na imprensa inglesa, foi acusada por uma colega de usar seus encantos para obter favores e furar a concorrência durante a cobertura da queda de Cabul, no Afeganistão.

Um tablóide conseguiu com a ingênua mãe de Lara algumas fotos da repórter quando era estudante e trabalhava como modelo de maiôs na África do Sul, sua terra natal. Foi primeira página em poses inconvenientes para uma jornalista.

Lara foi babá na França e recepcionista de restaurante em Nova York, mas está envolvida com jornalismo desde a adolescência. Depois da faculdade, foi produtora de TV na agência Reuters, repórter de dois jornais na África do Sul, e produtora do GMTV, o Bom Dia Brasil inglês.

Lara está quente. O The New York Times desta quarta-feira, num furo, informa que ela é seria candidata a âncora da rede CBS, para o lugar de Dan Rather.

A sucessão não está confirmada, mas a notícia coincide com o último dia de Ted Koppel no programa Nightline. Ele era a estrela do jornalismo no fim de noite.

Depois de 25 anos, o sério e excelente Koppel se despediu do programa que começou com ele durante o seqüestro dos diplomatas e funcionários da embaixada americana em Teerã.

Koppel foi um pioneiro. Casou tecnologia e bom jornalismo, com entrevistados em diferentes cidades, às vezes até inimigos, na mesma tela. As questões iam a fundo.

A partida de Ted Koppel é mais um sinal de declínio do telejornalismo das grandes redes. Ele não tem a graça de Lara.