22 de novembro, 2005 - 10h01 GMT (08h01 Brasília)
Antes de Hollywood, o faroeste era um palco com Buffalo Bill no papel principal.
E antes do palco, Buffalo Bill era William Cody, nascido em Iowa e soldado do norte na guerra civil americana.
Depois, foi caçar búfalos para alimentar os empregados que construíam as estradas de ferro para o oeste.
Três novos livros contam como William Cody se transformou de caçador de animais indefesos no mito Buffalo Bill, dono de um show espetacular, e numa metáfora sobre como a América domava o oeste selvagem.
Ele teria escalpelado seu primeiro índio com apenas 11 e matado centenas deles, mas os autores dos livros não comprovaram nenhuma morte.
A transformação de caçador em herói e empresário foi resultado da imaginação de um romancista, do talento de um relações públicas, da visão de um administador e do irresistível carisma de Buffalo Bill.
O espetáculo do domador de fronteiras, no seu auge, tinha quase 600 artistas e empregados, entre eles mais de 100 índios de verdade contratados nas reservas.
O chefe Touro Sentado às vezes participava.
O show viajava em 18 vagões de trens e percorria 130 cidades por ano.
Terminava sempre com os cowboys salvando a casa de colonos atacada pelos índios.
Em Londres a rainha Vitoria pediu bis e, numa tarde, Buffalo Bill colocou numa mesma charrete os reis de Bélgica, Dinamarca, Grécia, Saxônia e o principe de Gales.
Buffalo Bill teve uma velhice infeliz. A estrela dele foi apagada pelo álcool, por acusações de abusos de seus empregados e por uma tentativa fracassada e humilhante de se divorciar da mulher, Lulu.
O matador de índios e búfalos foi romance, filme de Hollwood, peça na Broadway, mas nunca conseguiu conquistar o imaginário infantil e ser herói de gibi.