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22 de novembro, 2005 - 00h17 GMT (22h17 Brasília)

Rodrigo Coelho

Investigação sobre Jean Charles 'vai apontar culpados', diz Crivella

Parlamentares da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre Emigração Ilegal disseram ter obtido nesta segunda-feira em Londres a promessa de que o inquérito que investiga a morte do eletricista Jean Charles de Menezes vai apontar responsáveis.

"Dentro da investigação, o problema é a responsabilidade se diluir", disse o senador Marcelo Crivella (PL- RJ), que preside a comissão.

Ele disse que seria inaceitável se a investigação demorasse seis meses e concluísse que "a culpa foi do regulamento".

"Nos prometeram que isso não vai acontecer e que o relatório será conclusivo."

Imigrantes

Após o encontro com a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), o grupo de parlamentares brasileiros se encontrou com a família de Jean Charles.

"Eles querem uma pressão maior, não se sentem confortáveis com o IPCC. Nossa impressão, entretanto, foi muito boa", disse Crivella.

"Eles contrataram especialistas nas mais diversas áreas."

Jean Charles foi morto a tiros pela polícia britânica no metrô de Stockwell, no sul de Londres, em julho, durante uma operação em que a polícia londrina procurava suspeitos de ligação com os atentados de 21 de julho.

Na terça-feira está previsto um encontro com parlamentares britânicos para a discussão da situação dos imigrantes brasileiros na Grã-Bretanha.

Na reunião não será apresentada nenhuma proposta concreta, mas deve servir, de acordo com Crivella, como um primeiro passo no sentido de melhorar a situação dos imigrantes que buscam se regularizar no país.

"Estamos na pátria do neoliberalismo, um país que respeita as regras do mercado. Se os brasileiros estão aqui é porque o mercado absorve."

Os parlamentares disseram que uma ação mais concreta deve ser buscada após a eventual aprovação de uma lei nos Estados Unidos que prevê a regularização dos trabalhadores ilegais do país. Se essa lei for aprovada, ela seria sugerida então aos europeus.

"Queremos que algum parlamentar tenha a iniciativa de propor essa proposta aqui", disse Crivella.

Após a passagem por Londres, os parlamentares brasileiros ainda devem ir à Espanha discutir o problema do tráfico de mulheres a Portugal.