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16 de novembro, 2005 - 21h14 GMT (19h14 Brasília)

Comissário pede debate sobre papel da polícia britânica

A mais elevada autoridade policial da Grã-Bretanha, o comissário Ian Blair, pediu nesta quarta-feira que seja feito no país um debate “compassivo” e “razoável” sobre a missão da polícia depois dos atentados de julho em Londres, que deixaram 52 mortos.

Blair disse que o país continua sendo um alvo prioritário de ataques extremistas e que é necessário discutir como os policiais devem agir para impedir esse tipo de ação.

“O terrorismo mudou seus métodos”, disse o chefe da polícia. “Ou ainda, trouxe pela primeira vez para a Grã-Bretanha alguns métodos que já existiam.”

“A Grã-Bretanha continua sendo a prioridade mais alta possível para a Al-Qaeda e suas afiliadas; estamos em uma nova realidade.”

Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram duramente a polícia de Londres e Blair pela ação que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, em julho, depois que ele foi confundido com um homem-bomba.

Silêncio

Ian Blair destacou as diferentes reações a operações recentes da polícia britânica. "Nos falaram que a polícia precisava fazer isto ou era ineficiente fazendo aquilo. As pessoas nos elogiaram, por exemplo, no dia 7 de julho (quando ocorreram atentados em Londres) (...)", disse.

"(E) nós fomos duramente criticados depois da morte de Jean Charles de Menezes", completou.

O chefe da polícia de Londres disse ainda que as novas ameaças extremistas estão coincidindo com mudanças na sociedade britânica e um aumento nos comportamentos anti-sociais, o que “está ameaçando a nossa habilidade de viver livremente”.

Ian Blair expressou sua “frustração” pelo que chamou de “silêncio” da opinião pública do país a respeito do que espera da polícia britânica.

"O silêncio não pode continuar. Os cidadãos britânicos agora precisam opinar sobre qual tipo de serviço policial querem. Por esta razão: depois das atrocidades em Nova York, Madri e Londres, depois de Bali, Casablanca, Istambul, Délhi e Jordânia, os temores quanto à vida pessoal e na comunidade são parte intrínseca da vida atual."

O comissário não fez comentários sobre a denúncia, feita pelo jornal The Daily Telegraph, de que a polícia usou balas de ponta oca, as chamadas balas "dum dum", na operação que levou à morte Jean Charles de Menezes.

Estas foram a primeiras declarações públicas de Blair desde que o Parlamento britânico rejeitou uma lei de combate ao terrorismo proposta pelo primeiro-ministro Tony Blair.