16 de novembro, 2005 - 18h10 GMT (16h10 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
A América Latina vai continuar crescendo bem menos do que os outros países em desenvolvimento neste e nos próximos dois anos, de acordo com a previsão do Banco Mundial.
O crescimento deve continuar acima da média da economia mundial, mas inferior a outras regiões em desenvolvimento como Ásia e até mesmo África subsahariana. O dado positivo é que esta expansão é superior à média dos últimos 20 anos, de 2,5% ao ano.
O relatório Perspectivas para a Economia Mundial da instituição, divulgado nesta quarta-feira, prevê uma expansão de 4,5% para a região este ano, comparada a um crescimento de 5,9% nos países em desenvolvimento e 3,2% para a economia mundial. No ano passado, a região cresceu 5,9%.
Mas enquanto a expansão no resto do mundo se mantém em 3,2% em 2006 e sobe para 3,3% em 2007, a América Latina deve crescer menos: 3,9% em 2006 e 3,6% em 2007.
Taxas de juros
O relatório não traz previsões por país, mas coloca o Brasil entre os que podem ser afetados por uma possível elevação da taxa de juros nos países desenvolvidos.
Os economistas do Banco dizem que a região está mais preparada do que em outras época, mas não descarta os riscos.
"Apesar disso, um aumento de 2 pontos percentuais na taxa de juros mundial, e o subsequente desaquecimento da economia, pode ter sérias consequências para a região", afirma o relatório.
O relatório diz que simulações mostram que esta elevação nos juros poderia causar uma redução de 2% no PIB da região nos próximos anos, com conseqüências graves no aumento da pobreza.
"Os países mais afetados são os altamente endividados, como Brasil, Colômbia e Uruguai", afirma o documento.
O outro risco, que afetaria principalmente países da América Central e do Caribe, é a manutenção - ou novo aumento - do preço do petróleo.
O relatório também cita as eleições presidenciais no próximo ano no Brasil, Colômbia, México e Peru como fatores que podem influenciar as perspectivas de médio prazo.
"Enquanto pode se observar um aumento nos gastos do governo no período pré-eleitoral, o risco é que poucas reformas estruturais devem ser iniciadas ou concluídas neste período", diz o documento.
No longo prazo, o Banco Mundial prevê um crescimento anual de 3,6% para a região no período entre 2006 e 2015, com aumento de renda per capita de 2,3% em média.