11 de novembro, 2005 - 12h48 GMT (10h48 Brasília)
Alguém aí na distinta platéia se lembra das "bombas espertas"? Aquelas da primeira guerra do Golfo? Umas que os americanos juravam que entrava pela janela dos fundos, batia na porta que dava para a sala e só então ia explodir na mesa dos generais iraquianos traçando os planos para invadir os Estados Unidos?
Foi na mesma época em que uma delas, mais burrona, se meteu por uma maternidade adentro em tentativa de se antecipar a parto, criação e formação de militar iraquiano.
Daí ficou-se com as bombas mesmo, detonaram-se enormidades delas, e as forças do bem e da razão prevaleceram. Foi uma vitória do mundo livre cristão sem maiores espertezas.
Abro os jornais e dou com novas espertezas. Estas agora de paz. Lá estão, nas folhas e na televisão, anúncios enaltecendo as virtudes de um leite da fábrica de laticínios St. Ivel, o "Advance Omega 3".
Quem o endossa é o professor (e lorde) Robert Winston, cientista muito chegado a aparecer e apresentar programas de rádio e TV sobre assuntos científicos.
Línguas felinas (sim, felinas) chamam-no de um mero popularizador. Desta vez, provou-se impopular.
Seus colegas de profissão, cientistas sem alto índice de reconhecimento entre a população leiga, empombaram e botaram a boca no trombone mediático: "Não, não!", exclamam quase que em coro. "Esse bicho não existe. Leite não vai tornar criança nenhuma mais esperta ou inteligente. Não há prova científica alguma que sustente as afirmações feitas nos anúncios."
Consumidores vêm expressando seu descontentamento. O leite está beirando a sua retirada do mercado devido à má publicidade gerada.
Ninguém ligou o "leite esperto" à "bomba esperta". Nem se deu conta que Omega (ou Ômega) Três é nome típico de algo a ver com guerra.
Feito a já citada bomba, foguete, canhão, essas belezas.