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09 de novembro, 2005 - 10h28 GMT (08h28 Brasília)

Brasil amplia medo de fracasso em Doha, diz Guardian

O jornal britânico The Guardian afirma em artigo desta quarta-feira que há o temor de que a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong em dezembro esteja fadada ao fracasso.

Segundo o jornal isso se deve ao fato do Brasil e Índia, dois líderes dos países em desenvolvimento, terem afirmado que o prazo até o meio de dezembro para fechar um acordo para a liberalização do comércio é curto demais.

Isto, segundo o artigo, poderia levar a um atraso nas negociações ou então à redução das expectativas lançadas pela Rodada de Doha, lançada no Qatar, há quatro anos.

O The Guardian destaca o comentário do ministro do Exterior, Celso Amorim, que afirmou que talvez seja necessária uma segunda reunião, afirmando que esta foi a primeira vez em que o Brasil sugere que haverá pouco progresso na reunião de dezembro.

Segundo o jornal, organizações como a Oxfam, que fazem campanha pelo comércio internacional mais justo, expressaram sua preocupação com as declarações do Brasil e Índia e acrescentaram que afirmar que a reunião de Hong Kong não importa é inaceitável.

O jornal britânico The Times também destacou a declaração do ministro Celso Amorim, de que provavelmente será necessária uma "Hong Kong 2", mas lembrou que Amorim acrescentou que as ambições para o comércio internacional não devem ser reduzidas.

Apesar do clima de pessimismo para o encontro de Hong Kong, o The Times lembra que o comissário Europeu para o Comércio, Peter Mandelson, e o diretor da OMC, Pascal Lamy, não querem adiar ou abandonar seus objetivos para esta reunião.

Segundo o jornal, Lamy disse que não há risco de fracasso em dezembro, e também não há "plano B" para a rodada de negociações de Doha. Lamy acrescentou que "acredita que (caso) as pessoas percebam um fracasso (nas negociações) será terrível ".

Distúrbios na França

Vários jornais da Europa criticam o governo francês em suas edições desta quata-feira, pela adoção de medidas mais severas para tentar conter os choques na periferia de várias cidades, que já duram 13 dias.

O jornal francês Le Monde afirma que o primeiro-ministro Dominique de Villepin "parece ter perdido o controle com sua decisão de restaurar uma legislação raramente usada e decretar um estado de emergência".

Para o Le Monde, apelar para uma lei que foi concebida durante os conflitos gerados pela Guerra na Argélia, há décadas atrás, "uma das piores épocas na vida pública francesa, mostra que Dominique de Villepin ainda não tem o que é necessário para ser um estadista".

Para a revista francesa Le Nouvel Observateur, Villepin arrisca trazer à tona "fantasias perigosas", tornando fácil associar alguns dos jovens responsáveis pelos choques com os militantes argelinos contra os quais a França lutou.

Na Alemanha, o jornal Die Tageszeitung afirma que a imposição de medidas de emergência é uma "demonstração de fraqueza" do governo francês.

O jornal alemão afirma que, declarando o estado de emergência, o goveno francês "está se envolvendo numa situação que deveria estar prevenindo".

O jornal espanhol La Razon afirma que os choques na França são o resultado da crise de identidade entre os filhos de imigrantes que nunca foi apropriadamente tratada. E alertou que os choques podem estar beneficiando políticos de extrema direita, como Jean-Marie Le Pen.