09 de novembro, 2005 - 17h33 GMT (15h33 Brasília)
Adriana Stock
enviada especial a Genebra
A Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que visa a liberalização do comércio global, continua bloqueada.
Após três dias de discussões em Genebra, os negociadores só conseguiram aprofundar suas diferenças.
De um lado o G20, grupo liderado pelo Brasil, que pede para a União Européia ceda mais na sua oferta agrícola.
Do outro, a União Européia afirma que sua proposta é final e que ela está condicionada ao o que os países em desenvolvimento oferecerem de acesso aos mercados de bens industriais e de serviços.
Surdez
Para o chanceler brasileiro os europeus estão dando apenas uma desculpa para não levarem a fama de terem travado as negociações.
"Acho isso esta sendo usado para não fazer oferta em agricultura. Não acredito mais, porque fizemos movimento nessas áreas e não recebemos oferta nenhuma."
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, declarou que não tinha ouvido falar em nenhum movimento em bens industriais e serviços e que alguns parceiros "só querem saber mais e mais de agricultura".
Mais tarde, Amorim ironizou: "Mandelson é um homem muito inteligente, mas, que eu saiba, não tem problema de surdez".
O chanceler insiste que abordou algumas idéias para liberalização de bens manufaturados durante as reuniões de Londres e de Genebra.
"Até os Estados Unidos, que têm mais interesse do que eles nessas áreas, perceberam a importância de nossa oferta", afirmou.
"Nós demos sinais, sim. Não foram propostas, mas foram sinais caso tenhamos progresso real em agricultura. Acho que isso chegou a ouvidos surdos."