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07 de novembro, 2005 - 18h53 GMT (16h53 Brasília)

Marcelo Crescenti
de Frankfurt

Alemanha já teme protestos 'à francesa'

Cinco automóveis foram incendiados na noite de domingo na capital alemã, Berlim, e mais três na cidade de Bremen, no norte do país, onde desconhecidos também puseram fogo em um prédio que ia ser demolido.

A polícia alemã não vê uma relação com os protestos na França, mas admite que os incêndios podem ter sido inspirados pelos confrontos no país vizinho.

Com isso, cresce o temor de que os confrontos verificados na França se repitam na Alemanha.

Como a França, a Alemanha abriga um número grande de estrangeiros: são cerca de 7,5 milhões de pessoas, ou mais de 8% da população.

A maioria dos estrangeiros, quase 2 milhões, é de origem turca. Muitos deles têm grandes dificuldades para se integrar na sociedade alemã.

Estudos mostram que jovens turcos têm menos chances de alcançar sucesso na escola e de conseguir um bom emprego.

Eles também são mais afetados pela atual crise econômica no país do que os alemães.

Aviso

A onda de violência na França despertou o interesse dos políticos alemães para um assunto que não é dos mais populares no país – a integração dos estrangeiros.

O atual governo alemão, composto pelos partidos social-democrata e verde, possibilitou a crianças estrangeiras nascidas no país a escolha entre a nacionalidade dos pais ou a alemã quando atingem os 18 anos de idade.

No entanto, o governo não implementou todas as medidas que prometeu durante a campanha eleitoral, como por exemplo um aumento sensível do número de cursos de alemão para estrangeiros residentes no país.

Wolfgang Schäuble, apontado como o novo ministro do Interior do próximo governo alemão, disse que a integração tem que ser fomentada por meio de mais cursos de língua alemã e mais chances para jovens estrangeiros no mercado de trabalho.

O ministro do Interior do Estado da Baviera, Günther Beckstein, admitiu que até agora os esforços dos políticos alemães nesse campo deixam muito a desejar. "Nós falhamos", disse Beckstein, que acha que protestos violentos de jovens estrangeiros poderão ocorrer na Alemanha.

Um porta-voz do governo lembrou que a situação na França não pode ser comparada à da Alemanha, mas que os confrontos franceses devem servir de "aviso" aos políticos alemães.

Repetição improvável

Representantes da comunidade turca na Alemanha acham improvável a repetição dos protestos violentos na Alemanha.

Bülent Arslan, presidente do fórum turco-alemão no Estado da Renânia do Norte-Westfália, diz que até agora ele não vê nenhum perigo.

No entanto, segundo Arslan, o governo deve evitar que os turcos vivam cada vez mais em guetos, o que ocorre, por exemplo, na região industrial do Vale do Ruhr, que abriga um grande número de estrangeiros.